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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Deusas Negras

Deusa Escura



Tentativas sérias de transformação interna não podem ser abordadas ou alcançadas sem o encontro com a deusa escura, a verdade por trás de toda manifestação, uma realidade mais profunda, além de toda forma. Como uma força primordial, ela tem sido ignorada e suprimida, com profundos efeitos negativos, tanto para a humanidade quanto para o planeta Terra.
Compreender a deusa escura nos leva a um equilíbrio sexual e a uma maturidade em todos os níveis de consciência, incluindo aqueles que transcendem o gênero, escreve Caitlín Matthews em Sophia, Goddess of Wisdom.
Na base do conhecimento espiritual, sua imagem continuamente aparece em muitas tradições como a Deusa Velada, a Virgem Negra, a Irmã Renegada, a Viúva Enlutada, a Escura Mulher do Conhecimento. Nossa própria procura pela Deusa começa na escuridão e no desconhecimento. Iniciamos com a sábia ignorância da criança no útero materno, que teme as forças que a fazem nascer para um mundo desconhecido. Mas uma vez fora do útero, o que nos assusta é o confronto com nossas origens, estes tesouros do divino feminino que estão profundamente dentro de nós, esperando para serem descobertos.
Na tradição celta do Mundo Profundo, há dois aspectos da Deusa que são especialmente relevantes e poderosos: a Deusa Luminosa que habita acima e a Deusa Escura que habita abaixo. Elas são as duas faces de uma unidade que, na prática, quando meditamos ou visualizamos, são encontradas muito próximas uma da outra. “Mas elas não são intercambiáveis de um modo fácil, através da arbitragem humana”, nos alerta R.J.Stewart em Earth Light.
A deusa escura é a casa de força que alimenta nossa espiritualidade, mesmo se a desconhecemos. Tememos a deusa escura, porque projetamos nossos temores em qualquer coisa que não conhecemos e que permanece escondido de nós. Mas houve um tempo em que a natureza e a deusa estavam integradas na nossa visão do mundo, antes que surgisse o desprezo pela matéria, por nossos próprios corpos e suas funções. Quando nos aventuramos no caminho que leva a ela, chegamos invariavelmente à deusa das estrelas, a deusa luminosa que é sua outra faceta.
Sua imagem foi afastada por muito tempo, mas agora a encontramos para onde quer que olharmos, pois ela assume a face da natureza, a face do mundo, para nos lembrar de nossa responsabilidade pela criação. Para entrar em contato com a Deusa Negra precisamos seguir o caminho das sensações, contornando o hábito de pensar. Chegamos a ela através do próprio corpo, pois ela é a matéria da qual nossos corpos são feitos.
Os físicos e astrônomos, que exploram a vasta e escura extensão do universo na busca de uma compreensão científica da nossa origem, têm afirmado que a Via Láctea é formada por matéria que reflete a luz, denominada de bariônica (composta de elétrons e prótons), aquela que somos capazes de detectar e conhecer por meio de instrumentos altamente sofisticados e de tecnologia avançada. Mas as pesquisas mais recentes têm chegado à conclusão de que esta matéria bariônica constitui apenas a décima parte da matéria que compõe o universo, as outras nove partes sendo de uma matéria escura, desconhecida e de difícil detecção, pois não reflete a luz. Sabemos de sua existência por causa de seus efeitos sobre a matéria luminosa.
Não bastasse o mistério desta matéria escura, os pesquisadores se depararam com algo mais misterioso ainda: a energia escura, responsável pela acelerada expansão do universo. Conhecida e desconhecida, escura ou não, a matéria responde por um total de 27,5% do universo, dos quais apenas 4,8% é matéria comum. Os restantes 72,5% são energia escura, cuja pressão produz uma espécie de antigravidade, ou seja, ela afasta os corpos celestes, criando espaço entre eles. É neste espaço que precisamos penetrar, para encontrar nossa origem.
Enquanto a ciência tenta descobrir o mistério da matéria e da energia escura, dando continuidade à busca alquímica pela prima matéria, a matéria primordial, caótica e misteriosa, com a qual se iniciava a grande obra da transformação, ela sempre esteve presente na imaginação de todos os povos como a Deusa Negra.
Os mitos arcaicos falam da Escuridão Primordial, do Grande Profundo, que originou o mundo que conhecemos. Os gregos denominaram este caos primordial de Gaia, a mãe de todos os deuses. No Egito pré-dinástico era Nun, o oceano primordial. Entre os sumérios, era chamada de Nammu, o abismo aquoso.
As grandes deusas arcaicas sempre se apresentavam em um aspecto duplo, regendo sobre o mundo da luz e sobre o mundo da escuridão. A Ísis Negra, mais antiga e primitiva, regia as horas noturnas, quando a divindade solar masculina se defrontava com seus maiores inimigos. Sua contraparte era Hathor, aquela que regia as horas diurnas.
Na mitologia sumeriana, encontramos a Deusa Negra na figura de Ereshkigal, a Rainha do Grande Abaixo, a quem foi atribuída o domínio do submundo, o mundo do não retorno. Sua contraparte é Inanna, a jovem deusa vestida de estrelas.
Também Deméter, a deusa mãe grega responsável pelos campos arados, possuía seu aspecto claro e escuro. Como Deméter Olímpica, era a mãe de Plutão/Hades, doadora de riqueza. Na Arcádia, como a deusa que vagueia, ela foi raptada por Poseidon e, tendo ficado muito furiosa, os habitantes locais a chamaram de Fúria. As Fúrias são mulheres do submundo, representadas como anciãs, tendo serpentes como cabelo, cabeça de cachorro, corpos negros, asas de morcego e olhos tintos de sangue. Sua função é vingarem danos feitos às mães e, quando elas se tornam aflições de consciência, são capazes de matar um homem que brutal ou inadvertidamente quebra um tabu.
Sophia, a Deusa da Sabedoria, era a matéria prima com que os alquimistas começavam sua grande obra. Sua condição original era o estado da rubedo(vermelhidão), o fogo interior que aquecia e inspirava a todos. Após a queda da humanidade, transformou-se em nigredo(negritude), a Escura Mãe da Terra, tão antiga quanto o tempo e denominada Sophia Nigrans. Em seu esforço para ascender, ela representa a Sophia Stellarum, a Brilhante Virgem do Céu, tão jovem quanto a eternidade. A tintura que buscavam obter os alquimistas era o sangue sagrado, que representa o elo entre os seres humanos, a fagulha do espírito na matéria.
Na tradição celta, são muitas as mulheres feias, negras, desfiguradas. Em contraposição às belas donzelas, elas têm sempre um papel ativo, sua função principal sendo a de desafiar os de boa índole a irem em busca do verdadeiro valor da alma, valor este que está oculto na escuridão e que, ao emergir, traz a luz A deusa escura representa os mistérios do inconsciente, seja pessoal, seja coletivo, razão pela qual pode parecer ameaçadora, especialmente para a consciência egóica defensiva, obcecada com sua própria independência. Apesar de ser uma função útil e peculiar do ser humano, uma função e extensão da psique total, é preciso que o ego reconheça e aceite a deusa escura como um fator positivo da totalidade, caso contrário ele corta suas próprias raízes e rapidamente seca e colapsa.
As tentativas da consciência egóica para alcançar independência, baseada na demonização da deusa escura, é o erro principal da era patriarcal, sua correção sendo uma tarefa urgente para nosso tempo, se quisermos criar um mundo de harmonia.
Como um portal para a consciência em expansão, a Deusa Escura é acessível através de nossas sensações. Quando prestamos atenção ao que acontece em nosso corpo, podemos vislumbrar sua orientação e nos abrirmos para outras dimensões em consciência.
A negritude da deusa se deve ao fato dela ser “o símbolo de todas as coisas que podemos saber na escuridão além da visão. Porque ela representa todas as forças que nos envolvem e que não são percebidas com os olhos, mas que se estendem do espectro visível até os modos inexplorados de ser. Porque ela é a Deusa da visão da noite, do sonho e de todas as coisas que vemos com a luz interior, quando nossos olhos estão fechados”.
Extraído dos arquivos do Gaia Religare
O RETORNO DAS DEUSAS - INTRODUÇÃO
Segundo a teoria junquiana, as deusas são arquétipos, fontes derradeiras de padrões emocionais que fluem de nossos pensamentos, sentimentos, instintos e comportamentos, caracterizados e tipificados como puramente "femininos". Tudo que realizamos e gostamos, toda a paixão, desejo e sexualidade, tudo que nos impele à coesão social e à proximidade humana, assim como todos os impulsos, tipo absorver, reproduzir e destruir, são associados ao arquétipo universal feminino.
Jung chama o arquétipo das deusas de "Transformadoras", porque tendem a surgir em momentos de mudança em nossa vida, como na adolescência, casamento, morte de um ente querido, modificando totalmente nossos sentimentos, percepções e comportamentos. Uma vez que a mulher se torne consciente das forças que a influenciam, adquire total poder sobre este conhecimento.
Os homens também são influenciados pelas várias deusas. Descomplicando, os homens vivenciam as deusas projetando-as nas mulheres de sua vida e nas imagens específicas da mídia que lhes causem deleite ou aversão. Uma melhor compreensão sobre as deusas, fará com que este mesmo homem compreenda o porque de sua atração por certas mulheres e o fracasso com outras, permitindo então, que ele comece a fazer as escolhas certas.
Muito embora as culturas guerreiras tenham dominado vasto período do história, o culto à Deusa Mãe sobreviveu e floresceu até a época dos romanos. Esta Grande Deusa era venerada como progenitora e destruidora da vida, responsável pela fertilidade e destrutibilidade da natureza.
As deusas diferem uma da outra. Cada uma delas têm traços positivos e outros negativos. Estamos testemunhando um discreto redespertar do feminino, uma sublevação profunda no âmago da consciência das mulheres
A adoração à Deusa foi a primeira Religião estabelecida pelos seres humanos. Muitas evidências arqueológicas, que incluíam estátuas, amuletos, cerâmicas, pinturas na cavernas e outras imagens indicando a veneração à Deusa, foram descobertas comprovando a existência de um culto primordial, no qual uma Divindade Criadora feminina era adorada.
Claramente o parto, a maternidade e a sexualidade feminina eram considerados sagrados. Isso nos mostra que essas culturas tiveram pouco ou nenhum conhecimento do papel do homem na reprodução. Para todos, a mulher concebia o bebê por ela mesma. Sexo não era associado com o parto, e as mulheres foram consideradas as doadoras exclusivas da vida.
A relação de pai/filho e Deus/Jesus é a chave do Cristianismo, embora a figura da mãe tenha conseguido persistir, aparecendo no Catolicismo na figura de Maria, que instigantemente é chamada de “A Mãe de Deus”.
A Deusa é a Criadora de todas as coisas e, ao mesmo tempo, a Destruidora. Tudo vem Dela e tudo retornará a Ela.

OS MISTÉRIOS OBSCUROS

. O mito dos Mistérios Obscuros se reflete em mitos como os de Deméter e Perséfone. Nesse antigo mito, encontramos o tema da Deusa que se encontra com o senhor do Submundo, a princípio resistindo ele e em seguida submetendo-se a seu amor por Ela. Nele, Perséfone representa a semente que desce às trevas subterrânea onde sua energia fértil é despertada. O Submundo representa a misteriosa força que impele o broto para cima, rumo à renovação. Deméter representa a energia que alimenta o crescimento da nova planta.

O corvo era associado à morte e ao Submundo por sua ligação com o Culto aos Mortos. Acreditava-se que as almas da bruxas escocesas partiam na forma de um corvo durante um transe. Em tempos remotos, acreditava-se que o sangue de porco era o mais puro entre todos os animais e que tinha o poder de purificar a alma, eliminando o ódio e o mal. Era associado ao Culto aos Mortos, e muitos locais de sepultamento incluíam porcos ofertados às deidades do Submundo. Outra criatura associada aos Mistérios Obscuros é a rã. As secreções de certas rãs contêm bufotenina, poderoso psicotrópico alucinógeno. Suas secreções eram utilizadas no preparo de certas poções empregadas na indução a estados de transe e viagens astrais. Certos cogumelos, como claviceps purpúrea e amanita muscaria, também eram empregados com as secreções de rãs. É interessante notar que o claviceps purpúrea se forma nos grãos de centeio e sobrevive na farinha, onde é chamado de cravagem (contendo ergonovina, de onde o LSD foi sintetizado). Aqui encontramos um elo com a utilização de pão e vinho no antigo Sabah das bruxas.
LUA MINGUANTE
A luz refletida da lua começa progressivamente a diminuir. Na primeira fase da Lua minguante. ela ainda é bastante visível, mas, aos poucos, vai extinguindo seu brilho. É a fase de menor força de atração gravitacional da lua sobre a terra, é o mais baixo nível de volume de água no organismo e no planeta. O período sugere mais recolhimento e interiorização. Os resultados do ciclo inteiro devem ser revistos, avaliados e resumidos aqui. O que não aconteceu até agora não terá mais forças para acontecer. Não devemos nos desgastar portanto com situações que podem ser retomadas á frente. Não temos a menor condição para Lima reviravolta.
Em compensação. conflitos e crises perdem igualmente força e podem se apaziguar e até desaparecer por completo ou perder totalmente o impacto sobre nós. lemos mais facilidade de abandonar as coisas, pois estamos menos afetadas por elas. As pessoas que não têm o hábito da introspecção e da auto-análise podem reagir negativamente a esta fase e sofrer um pouco de depressão. Não é recomendável divulgação, lançamento de produtos ou promulgação de leis. Eles podem passar despercebidos.
Não se começa coisa alguma. mas é preciso acabar com todas as pendências, senão elas vão perdurar no mês seguinte. Nesses últimos quatro dias da Lua minguante, um clima propicio á reflexão nos invade naturalmente. Não é um período brilhante para entrevistas de trabalho. pois falta clareza e objetividade na expressão e definição do que se pretende realizar.
BOM PARA:
© Dietas de emagrecimento (intensivas para perder peso rápido).
© Dietas de desintoxicação.
© Processos diurético e de eliminação.
© Cortar cabelo para conservar o corte e para aumentar volume (fios mais grossos, pois o crescimento é lento).
© Tintura de cabelo.
© Depilação (retarda o crescimento dos pelos).
© Limpeza de pele.
© Tratamento para rejuvenescimento.
© Cirurgias.
© Cicatrização mais rápida.
© Tratamentos dentários.
© Cortar hábitos, vícios e condicionamentos.
© Encerrar relacionamentos.
© Dispensar serviços e funcionários.
© Arrumar a casa.
© Jogar papéis e outras coisas Fora.
© Conserto de roupas.
© Pintar paredes e madeira (a absorção e a adesão da tinta são melhores).
© Dedetização.
© Combater todos os tipo de pragas.
© Colher frutos (os que não forem colhidos até aqui não vão crescer).
© Comprar frutas, legumes e verduras maduros (retarda a deterioração). Cuidado para não compra-los já secos.
© Comprar flores desabrochadas (retarda a deterioração). Cuidado para não comprá-las já secas.
© Poda.
© Tudo que cresce debaixo da terra.
© Plantio de hortaliças.
© Corte de madeira.
© Adubagem.
© Desumidificação, secagem e desidratação.
© Capinar e aparar a grama.
© Balanço financeiro do mês.
© Corte de despesas.
© Pegar empréstimo.
© Terminar todas as pendências.
© Romances começados nesta fase transformam as pessoas envolvidas.
© Finalizar relacionamentos.
© Quitar pagamentos.
© Fazer conservas de frutas e legumes.
© Cultivo de ervas medicinais.
© Retardar crescimento.
DESACONSELHÁVEL:
O Inseminação, fertilização, concepção e gestação.
O Atividades direcionadas ao grande público (freqüência baixa).
O Divulgação.
O Poupança e investimentos,
O Abrir negócios.
O lançamentos, vernissage, noite de autógrafos, exibições, estréias, exposições, inauguração.
O Conservação de frutas, verduras, legumes e flores.
O Comprar frutas, legumes e verduras verdes (ressecam antes de amadurecer).
O Comprar flores em botão (ressecam antes de desabrochar).
O Começar qualquer coisa (é uma energia de fim).
LUA NEGRA
Há bruxas e bruxos que preferem celebrar outras fases da lua, além do plenilúnio. Em muitas tradições são celebradas também a chamada Lua Negra (ou Lua Balsâmica), que é a fase de total escuridão da lua.
Nesta fase, que são os últimos três dias da lua minguante, a lua acabou de minguar e desapareceu totalmente, abandonando os céus. A Deusa então mostra-se como a Deusa Negra, a que revela o Seu lado obscuro e terrível, muitas vezes cruel, bem como o nosso. Essa fase da lua é mais difícil de ser trabalhada e não é recomendável que alguém recém-chegado à bruxaria já comece a celebrá-la. Aconselha-se por volta de seis meses de experiência com o plenilúnio antes de se trabalhar a Lua Negra. A Lua Negra é tão poderosa quanto o plenilúnio. Porém, o Seu poder é de uma ordem diferente.
É o poder das sombras, do terror, da face destrutiva da Divindade. Em geral, é um poder que assusta quem começa a trabalhar com ele, mas é um poder necessário de ser compreendido, pois faz parte da Deusa (e portanto de nós). A Bruxaria não é uma religião de luz, mas de equilíbrio entre luz e sombras e para tal é preciso que se conheça igualmente estes dois aspectos da realidade.
Os esbás da Lua Negra são voltados ao conhecimento do nosso lado obscuro e a sua cura, para que transmutemos as nossas características improdutivas (nervosismo, ódio etc.) em características produtivas (paz interior, amor etc.) e para que aprendamos a lidar com as nossas sombras. As deusas normalmente relacionadas a esses rituais são Hécate, Ceridwen e Lillith.
Modernamente, algumas tradições da Wicca, tais como a tradição das fadas (da qual faz parte Starhawk) e a tradição diânica (cuja praticante mais conhecida é Laurie Cabot) passaram a celebrar também a entrada da lua crescente e a entrada da lua minguante. Na entrada da lua crescente, celebra-se o poder da Donzela, que aumenta dia-a-dia até se transformar na mãe. Já na entrada da lua minguante, celebra-se o poder da Ancião, ou Velha sábia. Em muitos casos, a celebração da Lua Negra foi substituída pela da lua minguante, embora esses dois esbás não sejam equivalentes. Isso porque a minguante representa deusas necessariamente "anciãs", isto é, já bem velhas, com grande experiência de vida.
Na Lua Negra, ao contrário, não há essa obrigação da "idade" das deusas. Por exemplo, Hécate, a deusa mais comumente associada com essa fase, era normalmente retratada pelos antigos gregos como uma mulher bem jovem. Em termos de idade, ela seria uma deusa da época da lua crescente. Mas as suas características de Deusa Negra fazem com que ela seja melhor associada à fase de escuridão da Lua. De qualquer forma, as celebrações das luas crescente e minguante não é obrigatória, embora possa ser enriquecedora a quem as fizer. Em verdade, a maior parte dos praticantes de bruxaria preferem celebrar apenas a lua cheia e alguns também a lua negra.
Mas cada um deve fazer do modo que achar melhor e for mais produtivo para a sua vida. Mas sempre lembrando da necessidade de conhecer todas as faces da Deusa, que se repetem em nossas personalidades, assim como os Deuses, somos parte luz parte sombra. Para nosso completo equilíbrio, estas forças devem interagir em nosso ser de maneira harmônica, sem excessos.
RESUMO DAS DEUSAS
Cailleach (celta) A deusa céltica tem um aspecto sombrio, o que não a impede de se metamorfosear numa linda mulher quando deseja agradar o homem amado. Mas que ele se acautele, pois ela sempre que o domínio, o poder.
Ceridwen (britânica) Na lenda celta, Cerridwen é chamada de A Mulher Sombria do Conhecimento. Tem grande habilidade em mudar de forma e guarda aspectos da Iniciadora e da Tecelã
Daena (persa) é a desafiadora, com quem as almas dos mortos têm que se encontrar antes de passar pela ponte que definirá se irão para o céu ou para o inferno.
Dasha Mahavidyas (hindu) ou as Dez Grandes Sabedorias da Deusa Kali. Podem aparecer sobre terríveis formas.
Dzalarhons (índios americanos) É a guardiã dos tesouros terrestres e fica furiosa quando vê a destruição da natureza.
Ereshkigal (sumeriana) Rainha do mundo subterrâneo.
Erínias (gregas) As Erínias eram as vezes chamadas de "cães do Hades". Eram divindades infernais, cuja missão especial era punir os parricidas e aqueles que violavam seus juramentos. Quando um crime era cometido numa família, apareciam imediatamente, e, por isso, ficaram conhecidas como guardiãs das leis terrenas. As erínias eram tão rigorosas no castigo que perseguiam o criminoso até o mundo subterrâneo, para além, portanto, da própria morte
Hathor (egípcia) Uma espeçie de fada, que às vezes aparecia no nascimento de uma criança. Pertencia a um grupo de sete ou até nove jovens e suas predições - às vezes favoráveis e às vezes não - nunca falhava. Hathor é também Mantenedora, Rainha do Mundo Subterrâneo e oferece o encanto.
Hecate (grega) Divindade do Mundo Subterrâneo, Hecate era, em sua origem, uma deusa lunar. Nascida na Trácia parecia-se, de alguns formas, com Artemis. Poderosa no céu e na terra, Hecate dava riqueza, triunfo e sabedoria. Cuidava da prosperidade e da navegação.
Hel (nórdica) Rainha do Mundo Subterrâneo.
Inanna (sumeriana) Deusa do amor, da guerra.
Isis (egípcia) Grande Mãe, feiticeira e libertadora.
Kali (hindu) Deusa com os aspectos de Energizadora, criadora e destruidora. Uma das Dasa-Mahavidyas.
Kausiki (hindu) Aspecto guerreiro de Kali.
Lillith (semítica) Primeira mulher de Adão, antes que ele se casasse com Eva. Posteriromente, foi considerada rainha dos dem6onios. Seu personagem é bastante controvertido e totalmente rejeitado em círculo religiosos ortodoxos do Ocidente.
Macha (irlandesa) Deusa que morre de parto e amaldiçoa os homens de Ulster, desejando que eles sintam a fraqueza da mulher ao dar á luz por quatro dias e cinco noites, durante nove gerações. Tem também o aspecto da Mediador
Morrighan (irlandesa) Deusa da gurra e também aquela que tira a morte e cura doenças.
Rhiannon (britânica) Rainha do Mundo Subterrâneo, é aquela que liberta dos fardos.
Sekhmeti (egípcia) é representada como uma mulher que tem cabeça de leão e está sentada num trono.
ERVAS SAGRADAS DAS DEUSASCAILLEACH: trigo.
DEMÉTER: trigo, cevada, poejo, mirra, rosa, romã, feijão, papoula, vegetais cultivados.
HATHOR: murta, sicômoro, vinha, mandrágora, coentro, rosa.
HÉCATE: Salgueiro, meimedro-negro, teixo, mandrágora, cíclame, menta, cipestre, tamareira, gergelim, dente-de-leao, alho, carvalho, cebola.
ISHTAR: acácia, zimbro, grãos.
ÍSIS: figo, urze, trigo, losna-maior, cevada, mirra, rosa, palma, lótus, cebola, íris, verbena.
KERRIDWEN: verbena, bolotas de carvalho.
PERSÉFONE: Salsa, narciso, salgueiro, romã.
"A LENDA DA DESCIDA AO MUNDO SUBTERRÂNEO"
Nos tempos antigos, nosso Senhor, o Cornudo, era (e ainda é) o Consolador, o Confortador. Mas os homens o conheciam como o terrível Senhor das Sombras, solitário, inflexível e justo. Mas nossa Senhora, a Deusa resolveria todos os mistérios, até mesmo o mistério da morte; e assim ela viajou ao Mundo Subterrâneo. O Guardião dos Portais a desafiou...
"...Tira tuas vestes, põe de lado tuas jóias, pois nada tu podes trazer contigo o interior desta nossa terra."
Assim ela se despojou de suas vestes e de suas jóias, e foi amarrada, como todos od vivos que buscam ingressar nos domínios da Morte, a Poderosa, têm que ser.
Tal era a beleza dela, que a própria Morte se ajoelhou e depositou sua espada e coroa aos seus pés...
... e beijou seus pés, dizendo: "Abençoados sejam teus pés, que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa que eu ponha minhas mãos frias sobre o teu coração.
" E ela respondeu: "Eu não te amo. Por que fazes todas as coisas que amo e nas quais me comprazo fenecerem e morrerem?"
"Senhora" – respondeu a Morte – "trata-se da idade e da fatalidade, contra as quais sou impotente. A idade, o envelhecimento, leva todas as coisas a definharem; mas, quando os homens morrem ao desfecho de seu tempo, concedo-lhes repouso, paz e força para que possam retornar. Mas tu, tua és linda. Não retornes, permanece comigo." Mas ela respondeu: "Eu não te amo.
" E então disse a Morte: "Se não recebem minhas mãos sobre seu coração, tens que te curvar ao açoite da Morte." "É a fatalidade, melhor assim..." – ela disse e se ajoelhou. E a Morte a açoitou brandamente.
E ela bradou: "Eu conheço as aflições do amor."
E a Morte se ergueu e disse: "Sejas abençoada." E lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: "Assim apenas pode atingir a alegria e o conhecimento.
" Então a Morte desamarra os seus pulsos, depositando o cordel no chão.
E ele a ela ensina todos os seus mistérios e lhe dá o colar que é o círculo do renascimento.
A Deusa, então, toma a coroa e a recoloca na cabeça do Senhor do Mundo Subterrâneo.
E ela ensina a ele o mistério da taça sagrada, que é o caldeirão do renascimento.
A Deusa toma o cálice em ambas as mãos, eles se entreolham, e ele coloca ambas as mãos nas dela.
Eles amaram e se tornaram um, pois há três grandes mistérios na vida do homem, e a magia os controla todos. Para realizar o amor, tendes que retornar novamente no mesmo tempo e no mesmo lugar daqueles que são os amados; e tendes que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amarrá-los de novo.
O Senhor do Mundo Subterrâneo solta as mãos da Deusa e esta recoloca o cálice no seu lugar. Ele toma o açoite em sua mão esquerda e a espada na sua mão direita e fica na posição do Deus, antebraços cruzados sobre o peito, espada e açoite apontados para cima. Ela fica na posição da Deusa, pernas escarranchadas e braços estendidos formando o pentagrama.
Mas para renascer tendes que morrer e ser preparado para um novo corpo. E para morrer tendes que nascer, e sem amor não podes nascer. E nossa Deusa sempre se inclina para o amor, e o júbilo, e a ventura; e ela protege e acaricia suas crianças ocultas na vida, e na morte ministra o caminho da comunhão com ela; e mesmo neste mundo ela lhes ensina o mistério do Círculo Mágico, que é disposto entre os mundos dos homens e dos Deuses.
Mito tradicional da Arte.
Transcrito do livro Oito Sabás para Bruxas, Janet e Stewart Farrar, Ed.Anúbis.

MITOS,RITUAIS E INVOCAÇÃO... LILITH, INANNA (E) ERESHKIGAL,MORRIGAN, PERSÉFONE E SEKHMET

LILITH
O nome Lilith vem, provavelmente, da Suméria e significa: "aquela que se apoderou da Luz". Originalmente, Lilith tinha um só aspecto, "a terrível Deusa-Mãe". No desenrolar da evolução do mito, ela conservou dois aspectos singulares: . Como uma prostituta divina, ela tenta seduzir todos os homens; . E, como a terrível mãe, ela ambiciona prejudicar mulheres grávidas. Estes dois aspectos de Lilith são encontrados nas escrituras babilônicas como personificações de Camaschtu e Ishtar. Nos textos mágicos aramaicos ela aparece como um demônio, que causa tanto doenças corporais, esterilidade, aborto, como também perturbação psíquica. Dizem que ela não só aparece em sonhos e visões como, também, os provoca. Dos Códigos Antigos do Sacerdócio (Gênesis) consta que Lilith foi a primeira mulher de Adão. Deus criou Lilith, assim como Adão, do barro. Surge, assim, uma briga entre os dois, porque Lilith, no "movimento conjugal", não queria se deitar por baixo. Lilith se referia à criação com o mesmo barro e desejava igualdade de direitos. Como Adão não conseguia aceitar que Lilith se deitasse por cima, ela o abandona e atrai para si de volta o Mar Vermelho (Deus, então, cria para Adão uma mulher dócil - Eva. Pois ela é somente uma costela, para não poder se rebelar.). Podemos chamar Lilith para abortar crianças indesejadas. Para fazer correr desde aquele vizinho inoportuno, indesejável (não é à toa que um dos seus nomes é "a estranguladora"). Mas, também podemos chamá-la para nos ajudar a quebrar tabus ou nos livrar de nossos próprios padrões, conceitos e preconceitos
INVOCAÇÃO A LILITH :
Negra ela é, mas bela!
Seus lábios são vermelhos como a Rosa, mais doce que toda a doçura do mundo. Ela é a prostituta Lilith, ela que na escuridão voou do deserto para cá, para seduzir as pessoas. Ela é a causadora de sonhos e visões prazerosas. Uma prostituta ela é! Ela é a primeira Eva, a Deusa que combate à frente com revoluções pela liberdade. Ela é KI-SIKIL-LIL-LA-KE, uma menina permanentemente gritante!
Lilith - Invocação em linguagem lunar :
OMARI TESSALA MARAX,
TESSALA DODI PHORNEPAX.
AMRI RADARA POLIAX
ARMANA PILIU.
AMRI RADARA PILIU SON,
MARI NARYA BARBITON
MADARA ANAPHAX SARPEDON
ANDALA HRILIU.
Tradução:
Eu sou a prostituta, aquela que abala a morte.
Este abalo dá à paz, prazer realizante.
Imortalidade nasce em meu crânio, e música na minha vulva.
Imortalidade nasce na minha vulva também, pois minha luxúria é um doce
perfume, como um instrumento de sete lados tocado para Deus, o invisível, o Todo-soberano, que vagueia ao redor, que dá o grito estridente do Orgasmo.
MEDITANDO COM A DEUSA NEGRA
Feche os olhos.
Respire profundamente algumas vezes.
Deixe sua mente divagar por alguns instantes até você se centrar completamente.
Você agora estará indo ao encontro das muitas manifestações da Deusa Negra aquela que destrói para construir, aquela que nos mostra as profundezas do nosso ser e nos coloca em confronto com nossos medos, incertezas, sombras.
Visualize em sua mente uma linda floresta, com os diferentes seres do reino vegetal, mineral e animal que a habitam.
Veja o sol acima de sua cabeça, brilhando forte e intenso.
Sinta o seu calor, a sua luz a sensação de amor e conforto que ele é capaz de proprocionar.
Veja a luz se intensificando mais e mais, até que o intenso calor provoque uma fagulha de fogo que aos poucos queima a floresta.
Aos poucos você percebe que este fogo vai assumindo a forma de uma mulher coberta de chamas que se move pela floresta em uma linda dança, por onde ela passa rastros de fogo se formam, dando início a um grande incêndio na floresta. Esta é a Deusa Negra, se movendo entre os mundos nos mostrando a dança da criação e destruição. Preste atenção ao incêndio e perceba as atitudes dos diferentes seres da floresta. Tente fazer um link com as atitudes destes seres e as diferentes atitudes que temos quando nossa vida parece ser incendiada pelo fogo da destruição.
Contemple a cena por uns 3 minutos, fazendo uma acurada análise e reflexão sobre o que está vendo em sua mente.
Aos poucos, retorne sua consciência ao normal.Respire algumas vezes, sentindo o seu corpo.
Anote suas reflexões em seu Livro das Sombras e repita esta mesma meditação mais algumas vezes.

INANNA

Inanna era a Deusa da Suméria responsável pela reprodução e fecundidade, prolongamento da tradição das "Deusas-Mães" atávicas. Foi identificada em Afrodite, Ísis, Isthar (seu nome babilônio),etc. Ela era a rainha do 7 Templos, padroeira da vila de Uruk e a portadora das Leis Sagradas.
Coube a ela roubar do deus da Sabedoria os dons de Enki (Deus q habitava o céu). Ela teria sido designada como mediadora entre os deuses e os homens para que estes pudessem aproveitar os dons divinos.
O Deus Enki, apesar da raiva e do esforço para reaver seus dons, acaba perdoando Inanna e não a castiga, bem pelo contrário, a torna sacerdotisa. Cabe então a ela criar a relação certa, dizer o que se deve fazer exatamente para render homenagens a cada deus, que rituais estabelecer, etc. Inanna reinava sobre tudo, determinava a maneira de vestir, falar, viver a sexualidade, de se comunicar e de trabalhar.
Ela estava presente em tudo, na arte, na prostituição, na taverna sagrada, na falsidade, no medo. Era a Rainha e a alma de tudo que se vivia de bom ou ruim. Os dons vinham do céu, dos deuses, mas somente ela iria levá-los para os seres humanos e mostrar-lhes a arte de usá-los de modo adequado.

DESCIDA AO SUB-MUNDO

Inanna era a Rainha do Céu e da Terra, mas não sabe nada do submundo e sua missão agora é desvendar seus segredos. Decide então fazer um passeio pelo reino dos mortos, abaixo da Terra, domínio de sua irmã-avó Ereshkigal. Haviam sete portais que deveria cruzar rumo ao seu objetivo final. Em cada uma destas portas se vê despojada de seus instrumentos de poder, desde sua coroa até suas vestes. No sétimo e último portal, totalmente nua encontra-se com Ereshkigal, sua irmã e rival.
Totalmente nua, seria a única forma com que Inanna poderia se relacionar com sua sombra. Neste estado vulnerável, Inanna enfrenta sua irmã (sua sombra), é presa e crucificada num poste do mundo inferior, constituindo-se numa imagem de divindade feminina agonizante.
Sozinha e na escuridão, Inanna decompõe-se. Mas nem tudo está perdido, esta experiência e a aceitação de sua vulnerabilidade, a descoberta da necessidade do sacrifício e da morte para que os ciclos da vida se perpetuem, aumentam o poder de Inanna, assim como sua compreensão e beleza.
Sua irmã também aprende uma grande lição e tem agora seu coração aberto à compaixão. Como recompensa por tal sentimento lhe foi permitido reviver a deusa Inanna. Mas Inanna não estava livre para partir até houvesse alguém para ocupar seu lugar. A descida de Inanna ao sub-mundo é um símbolo de ritual de iniciação nos mistérios femininos.
Quando Inanna consegue retornar, descobre que Damuzi (seu marido), em sua ausência usurpara-lhe o lugar no trono do céu. Ficou colérica e permitiu que os demônios do inferno lhe prendessem e o levassem. Depois sentiu pena dele e apelou a Ereshkigal para que o liberassem. Entretanto, lhe foi permitido tão somente uma troca e a irmã de Damuzzi se oferece para rever com ele a permanência no reino de baixo. Assim, durante o outono e inverno, Damuzzi permanece no inferno e as colheitas não se reproduzem, enquanto que na primavera e verão, ele sai da terra para participar do reino de cima e a colheita é farta.
Esta é a origem da celebração do ano sumeriano.
INANNA HOJE
No ciclo de Inanna há a criação, a reprodução e a destruição. Seu encontro com Ereshkigal pode ser visualizado como uma reunião da criação e a destruição, nos mostrando os aspectos bons e ruins da deusa. Aventure-se na escuridão do seu ser, pois é só assim que alcançará o equilíbrio, a iluminação e a inteireza.
JORNADA AO SUB-MUNDO
Para realizar esta jornada você necessitará em primeiro lugar de um recinto fechado, de preferência chaveado para ter o máximo de privacidade. Outros materiais:
1 vela branca (colocada à sua frente)
1 taça com água (à direita)
1 incenso (à sua escolha, pode ser colocado à esquerda).
1 espelho
Como a deusa Inanna você escolheu fazer esta viagem ao sub-mundo, portanto é necessário tenha consigo 7 objetos para se desfazer, podem ser peças de roupa.
Crie um espaço sagrado no seu imaginário, sente-se ou fique em pé, em frente à vela e invoque com suas próprias palavras ou diga:
Oh Inanna, Rainha do Céu e da Terra,
Que regenera nossos destinos à cada lua nova,
Nos envolva com seu manto de sabedoria e beleza
E nos guie nesta viagem, que já lhe é tão conhecida
Estou disposta(o) à descer ao sub-mundo
para compreender sua magia e mistérios,
pois estes conhecimentos são necessários
para a evolução de minha alma.
Deusa Inanna, poderosa rainha dos povos antigos
Abençoa-me na luz da sua onisciência!
Quando achar que estiver pronta(o), inspire profundamente e expire, desapegando-se de tudo. Inspire e relaxe o corpo. Agora abra os olhos e se encare-se no espelho. Lentamente comece a tirar sua roupa, dando a cada uma delas o nome de um elemento que é negativo em sua vida (inveja, ciúme, raiva,etc). Diga adeus a estes elementos e deixe as vestes caírem ao chão. Se quiser, realize estes gestos com música, o efeito é surpreendente. Feito isso, sente-se em frente a vela.
Volte a inspirar e expirar lentamente por três vezes e sinalize então a entrada de uma caverna. Você está diante dela e deve entrar. Lá dentro é seguro e você descerá bem fundo, até ver uma luz no fim deste túnel. É o limiar do Inferno.
Entre sem medo e chame sua sombra. Qual é sua aparência? Como ela faz você sentir? O que ela tem para lhe dizer? Tente conversar com ela por um determinado tempo. Se tiver medo quando encontrar este seu lado sombrio, continue respirando profundamente e reconheça o medo, ele está ali para ajudá-la(o). Ser capaz de testemunhar todos os aspectos de nós mesmos, com ou sem medo, é o que nos leva à totalidade.
Agora é hora de voltar, portanto diga adeus à sua sombra e caminhe de volta ao túnel, sentindo-se energizada(o), revigorada(o). Suba cada vez mais até chegar a entrada da caverna. Respire fundo e, enquanto solta o ar, volte ao seu corpo. Respire fundo mais uma vez e quando estiver pronta(o) abra os olhos. Feliz Retorno!
SEKHMET – SENHORA DAS FERAS
Sekhmet se oferece para guiá-lo no desbravar dos segredos e mistérios da vida. Ela saltará para o seu interior e o ajudará a entender e lidar com a RAIVA. Sehkmet vem nos dizer que a raiva faz parte da nossa força. Portanto, não desperdice a sua raiva. Aprenda a expressá-la de modo que ela possa ser ouvida e entendida. Aprenda a transformá-la em algo bom, de modo que ela lhe fortaleça e lhe gere energia.
O caminho para a totalidade será vital quando você fizer da raiva uma aliada
MITOLOGIA
Rá, deus do Sol e soberano do Egito, reinava em sua cidade Annu em um esplendido palácio a bordo de sua suntuosa barca. Mas os milênios foram passando e Rá envelheceu e seus súditos ao vê-lo observavam:
- "Vejam como nosso Rei envelheceu! Seus ossos são prata, sua carne ouro e seus cabelos de autêntico lápis-lazúli."
Tal desrespeito indignou tanto o Rei, que um belo dia ele resolveu punir a humanidade. Convocou o "Concilio dos Deuses" para votarem e decidirem o que fazer.
Assim que o olho de Rá voltou-se contra os blasfemadores e eles fugiram, como previsto, para o deserto. Rá resolveu então chamar a deusa Hator e a transformou em Sekhmet (A Poderosa), feroz deusa da guerra com cabeça de leão, que partiu em busca dos fugitivos.
Sekhmet, ávida por sangue e fora de controle, promoveu tamanha carnificina que pôs em risco a continuidade da humanidade. Rá preocupado, sabia que deveria agir rápido para que tal desgraça não acontecesse. Enviou então, mensageiros a Elefantina para que colhessem uma enorme quantidade de uma espécie de grão vermelho, que foram acrescentados a uma grande quantidade de cerveja. Tal mistura foi imediatamente despejada e espalhada nos campos onde a deusa pretendia prosseguir com a matança.
Na manhã seguinte, quando ela apareceu e viu a inundação e seu belo rosto refletido no líquido, não resistiu, bebeu muito do estranho líquido e embriagada acabou dormindo.
Ao acordar, sua fúria havia passado e a terrível bebedora de sangue se transformara na gata Bastet, a bebedora de leite.
A deusa Sekhmet, era portanto, uma Divindade de três rostos (Hathor-Sekhmet-Bastet) e era adorada sob o nome de "Deusa do Norte", porque um de seus templos mais célebres, foi erguido no Norte do Egito. Era a deusa do Sangue que presidia a guerra e a medicina. Alguns sacerdotes-médicos, reivindicavam o título de "Sacerdotes-de-Sekhmet-a-Leoa" e exerciam sua arte só no recinto do templo de Mênfis.
Sekhmet é uma divindade antiga cuja personalidade é difícil de captar, porque ela pode ser a Vaca cósmica (Hathor) que dá à luz ao Sol e também a Leoa (Sekhmet) e a Gata (Bastet). Em Bastet, por exemplo, o que predomina é a doçura.
DEUSA DO SOL
Sekhmet, a nossa Senhora do Sol. Ela corresponde também ao ponto cardeal SUL e ao elemento FOGO. Sekhmet é o fogo da vida que existe em cada um de nós. A cabeça de leoa é símbolo de força e poder de destruição de inimigos. A praga e a peste foi criação dela. No período do ano em que os raios do Sol estão mais fracos, Sekhmet mostra seu lado mais generoso. Ela jamais deve ser tratada sem reverência, pois Sekhmet merece o nosso maior respeito e consideração. Segundo a lenda egípcia, ela tortura as pessoas malignas e desrespeitosas, mas é protetora dos fracos e desassistidos. Seus poderes abrangem proteção, banimento e destruição do negativo.
HORÓSCOPO EGÍPCIO
CONSTELAÇÃO ÁRIES
Sekhemet, considerada "o olho de Rá", é a deusa que representa a guerra e a força. Áries possui Marte como planeta regente, o deus da guerra romano.
Os nativos de Sekhmet têm consciência de seu enorme poder, da sua grande vitalidade e potência física.

ARCANO DO TARÔ: A FORÇA Sekhmet

Não é através da força física que dominamos as circunstâncias da nossas vidas e nossos destinos, mas sim à firmeza interior.
RITUAL DE DANÇA COM SEKHMET
Procure um lugar onde você não possa ser interrompido e possa fazer barulho. Necessitará de um tambor, uma almofada ou um bastão. Você poderá sentar ou ficar deitado, o que achar melhor.
Sente-se ou deite-se confortavelmente. Respire e inspire bem devagar contando até oito por três vezes. Depois respire novamente e com os olhos fechados visualize uma bela praia (igual a qualquer uma de Floripa-SC!). Sinta o cheiro do mar, escute o barulho das ondas e então perceba-se nela. Sinta o calor do sol que brinca sobre sua pele e a brisa fresca do oceano que a massageia. Chame Sekhmet e peça-lhe que venha em seu auxilio para ajudá-la a lidar com sua raiva. Ela aparecerá e se sentará em frente a você.
Neste momento é hora de perguntar-se: "De que eu tenho raiva?", e ouça a resposta. Sekhmet lhe dirá para você buscar sua raiva de modo tranquilo e assegura que, se você chamar ela virá. Quando a encontrar, revivesci o incidente no qual você sentiu raiva, enquanto repete: "Estou com muita raiva". Diga qual o motivo de sua raiva. Sekhmet testemunhará todo o acontecimento e dirá: "Eu ouvi, você está zangada".
Ponha-se de pé em um lugar seguro da sua praia e continue repetindo: "Eu estou com muita raiva". Se estiver com o tambor bata nele com força. Se preferir bater na almofada ou usar o bastão para bater em algo, faça-o. Sekhmet está testemunhando toda sua raiva e gostando de você por isso, pois a raiva é sua e você TEM O DIREITO DE SENTI-LA. Vá fundo na sua raiva até senti-la que ela aos poucos vai se amenizando e se transformando em outra coisa.
Para encerrar, respire fundo, inalando toda a energia que você criou e transformou. Você se sentirá energizado e revigorado e então agradeça a presença de Sekhmet. Ela lhe pedirá um presente, que você dá de coração e em seguida seguirá seu caminho.
Respire novamente profundamente e abra os olhos.
Seja bem-vinda!
MORRIGAN
Na Lua Minguante celebre a Deusa Morrigan, com velas pretas, penas pretas e incenso de mirra e verbena. Tenha uma folha de papel alumínio e visualize Morrigan em batalha, protegendo vc com seu escudo. Visualize que o escudo protege vc de quaisquer perigos e ataques. Veja em detalhes o desenho do escudo especial que Morrigan entregará a vc, protegendo-o sempre. Ao final da visualização, reproduza os desenhos do escudo e sua forma na folha aluminizada e guarde com vc como um escudo protetor diário. Agradeça Morrigan espalhando algumas penas pretas ao vento.
PERSÉFONE
Nesta Lua Negra faça um ritual com Perséfone e descubra se as opiniões alheias estão influenciando demais você, retirando sua capacidade de auto-determinação. Acenda velas cor de vinho ou pretas, use incenso de canela, queime ramos de Artemísia. Utilize um espelho negro, ou uma vasilha de barro pintada de negro com água dentro para ver as pessoas de suas relações. Abra-se para a Visão e se permita vislumbrar situações em sua vida em que há gente que influencia demais você, pressiona suas decisões, não respeita seus direitos de escolha. Ao ver a imagem, pegue um bastão feito com um ramo de louro ou roseira e faça círculos no sentido anti-horário, desfazendo a influência negativa que essas pessoas têm, sobre vc. Celebre e agradeça Perséfone comendo algumas sementes de romã.
MENSAGEM FINAL...
A Deusa Negra fala conosco pelas bocas de Lilith, Kali, Tiamat, Hécate, Nix,
A Madonna Negra, Nêmesis, Morgana, Cerridwen, Perséfone, Ereskhigal,
Arianrhod, Durga, Inanna, Sekhmet, Cailleach, Rhiannon, Daena, e muitas outras...
Descubra seu lado negro e trabalhe com as Deusas Negras para que vc seja destruído e renasça para uma vida plena nos mistérios da Deusa. A lua balsâmica — o último estágio da Lua minguante — é um tempo de retração, restauração, cura e rejuvenescimento. O termo balsâmico quer dizer: elemento ou agente que cura, suaviza e restaura. Devemos aceitar as coisas com os resultados que se apresentam. Tudo está na sua forma final e não vai passar disso. Colhemos o que semeamos. 1. tempo de retroceder, levantar acampamento. limpar o terreno, descansar e, principalmente, armazenar forças para a próxima fase que em breve se inicia.

Deusas Negras


AS DEUSAS NEGRAS
Mavesper Cy Ceridwen
Uma das coisas que mais confundem e intrigam as pessoas quando iniciam um trabalho sério de auto-transformação na wicca é o lidar com a Deusa Negra. As Deusas Negras, que se conectam com as luas escuras sempre tem muitos atributos: são senhoras da morte e da ressurreição, portadoras da foice que ceifa nossas vidas. Também são as senhoras da magia, uma vez que os portais da magia somente são abertos quando passamos a conhecê-las. Por isso mesmo elas são as Iniciadoras: somente depois de conhecê-las é que estaremos aptos a nos iniciar formalmente... São Senhoras dos oráculos e são tecelãs, no sentido de que transformam a vida. Aliás, o caldeirão é um atributo seu, o receptáculo da transformação. Quando lidamos com as Deusas Escuras estamos tratando de uma coisa chamada SOMBRA, ou seja, tudo o que sua personalidade consciente rejeitou para formar o EU que se apresenta ao mundo (que podemos chamar de ego). Mas a personalidade de cada um de nós é formada não só pelo que vem à luz, o ego, mas em grande parte pela sombra. Como em um iceberg, o ego é a pontinha fora da linha da água do grande oceano do inconsciente. Porque é importante sabermos disso? Porque só tendo consciência do que é nossa sombra poderemos conhecer a nós mesmos por inteiro. Sua sombra traz dentro dela tudo o que você rejeitou. Se você é leal, sua sombra é desleal, se você é honesto, sua sombra mente, se você é ordeiro, sua sombra ama a desordem... Mas a sombra tem uma riqueza potencial enorme, porque guarda qualidades que você também não tem. Por exemplo, se você é tímido, sua sombra é arrojada, se você é medroso, sua sombra é valente, se você é rígido, sua sombra é flexivel e adaptável... Por ai creio que já dá para vocês imaginarem como o trabalho com a sombra pode ser importante e rico. Ela pode fornecer a você qualidades que você não tem e que podem te ajudar muito na vida. Já entendemos que a sombra tem riquezas a nos trazer. E como se chega a elas? Qual é o preço a pagar? Sabemos que a sombra é algo tão profundamente rejeitado por nós, quando não nos trabalhamos psicologicamente, que essas riquezas da sombra não estão facilmente disponíveis... Estão profundamente enterradas no inconsciente. E como fazê-las vir à luz? Só há um jeito: encarar sua sombra de frente. Quando as pessoas começam a ver isso, muitas se assustam e nunca mais voltam a um trabalho mágico, muito menos à wicca. Um trabalho de auto-transformação é um trabalho seríssimo. Especialmente para aqueles que crêem que são "bons", "guerreiros da luz", "certinhos". Falo isso porque quanto mais uma pessoa vive essas personagens boazinhas, anjinhas, que espalham luz e bondade onde passam, maior é o abismo que separa a sombra do ego. Se você é daquelas pessoas que nunca se permite uma irritação, que nunca xinga, que nunca grita e que jamais perde a paciência, se você é uma pessoa sempre legalzinha, aguentando qualquer coisa que te façam de boca calada ou oferece a outra face, se você aparenta ser sempre zen e que nada te perturba... bem , você é um serio candidato a ser vítima do que se chama em psicologia uma revolta da sombra. Explico: vocês já viram aquele número de malabarismo nos circos em que a pessoa se equilibra em uma tábua solta sobre um cilindro? Quanto maior for a tábua, mais difícil é o equilíbrio. Quanto mais as pernas ficam próximas, mais fácil é... pois é, imaginem que cada perna é ego e sombra e entendam o exemplo... Uma pessoa que dá vazão a sua sombra, que morde quando é cutucada, que xinga, briga, chuta em revolta, que não dá a outra face, que não finge que não está zangada e odeia... essa pessoa é muito mais equilibrada do que as que fingem que nada as afeta ou que sempre passam por cima de tudo, ou pior, que se compadecem de quem as agride... Uma explosão da sombra pode se dar de mil maneiras, desde uma maneira bombástica como o cara bom pai de família e bom marido e trabalhador que um dia pega uma arma , entra numa lanchonete e fuzila todo mundo, até a pessoas que não aguentam mais e um dia mandam o casamento por espaço, os filhos para Marte e vão morar com os índios no Xingu... Conhecer e acatar nossa sombra - nossa porção que odeia, grita, rosna, deseja vingança e ameaça os inimigos - é parte essencial de uma psique saudável e do trabalho mágico, porque é só aceitando nossa condição humana que seremos capazes de conhecer quem realmente somos. Nenhum ser humana é tão evoluído ou perfeito que possa se considerar superior a essas coisas. Ao invés de temê-las e rejeitá-las temos é que aprender a conviver com elas. Uma bruxa sabe que aceitar as manifestações da sombra é o caminho do poder pessoal e do equilíbrio e que não há atalhos que o evitem. Emoções como ira, raiva, ódio, cobiça, gula, luxúria, preguiça, desejo de vingança, são HUMANAS. Nenhum de nós escapa delas, e o resto é só fingimento. Coloquei de propósito palavras que lembram, os 7 pecados capitais dos cristãos. O que nos faz ter tanta dificuldade com o trabalho com a sombra é justamente o arquétipo cristão: ser sempre bom, só fazer o bem, nunca agredir ninguém, nunca se irar... A doutrina cristã é a escravidão da doutrina da CULPA. E as sombras que se alimentam desse sentimento chamado CULPA são sempre monstruosas... CULPA, essa coisa que tantos de nós cultivamos de forma tão cuidadosa! Quantas vezes nos sentimos culpados por mil coisas, ficamos inventando maneiras de "expiar essa culpa", "pagar nossos pecados"... Quantas vezes carregamos as culpas do mundo, de nossos pais, nossos politicos, por exemplo? Como ao invés de alguém ficar revoltado com um prefeito corrupto, por exemplo, alguém ainda diz "ah, mas a culpa é nossa de termos votado nele! Ele não tem culpa!". Ah! Chega de bobeiras... A culpa só é util se nos ensina alguma coisa, por exemplo a não votar mais nos corruptos. Afora isso, o que se ganha com ela? Vejamos outros sentimentos negativos em comparação. Por exemplo, a dor da perda. Quando você se depara com uma perda, morte de uma pessoa querida, fim um relacionamento ou um projeto, você fica triste e deprimido. Você fica de luto. O luto tem uma função: deixar você lamentar o que perdeu e ao mesmo tempo te mostrar que aquilo acabou. Por um ponto final para que aquilo não te atormente o resto da vida. Por isso, por exemplo, as pessoas que têm parentes que desaparecem e estão obviamente mortos, mas nunca se encontrou o corpo, ficam anos a fio presas à perda, porque não conseguiram viver o luto a que tinham direito. Pois é, então depressão e tristeza em relação à perda são emoções dificeis de serem vividas, mas são positivas, elas tem uma função na psique, elas preparam uma nova fase da vida. E a culpa? A culpa não traz riqueza alguma. Só se interessa pela culpa quem quer manipular outra pessoa. A culpa é o grande coringa que permite todos os tipos de manipulação psicológica e relações doentias, de medo e submissão, de amor dependente. " Você não pode fazer isso se me ama...", "ai, filhinha se você for viajar com seu namorado eu vou ter um ataque cardíaco e a culpa é sua..." "Ah, você não pode viver sua vida porque seus pais te amam e precisam de você." "Se eu sou uma pessoa espiritualizada jamais vou me alterar, senão vou trazer consequências terríveis para mim e os que me cercam...", "ah, se eu tivesse feito isso, ah se eu não tivesse feito aquilo..." Culpa é escravidão. Ninguém é senhor de si enquanto vive com culpas. Não existe trabalho mágico real se estamos presos à culpa e não enfrentamos a sombra. E foi sobre esse sentimento inútil em termos de ganho da psique que se ergueu a sociedade ocidental sob a égide do cristianismo. E o que tem tudo isso a ver com a Deusa Negra? É justamente o arquétipo da Deusa Negra que vem nos trazer a abençoada libertação dos padrões de pensamento e comportamento baseados na culpa dos cristãos. Sehkmet dos egípcios, a Deusa com cabeça de Leão, é um bom exemplo para falarmos desse tema. Ela personifica o poder do Sol, mas o poder destruidor do Sol. No Egito o Sol tanto trazia a vida para as colheitas quanto trazia a seca mortal e a peste que vinha do deserto. Diz a sua história que seu pai o Deus Sol estava descontente com os homens e resolveu castigá-los. Soltou sua filha em fúria e ela foi matando pessoas. A um certo ponto da matança, Geb resolveu interromper o castigo, que já achava suficiente. Mas o ódio de Sehkmet não era facilmente controlável, ela continuou matando sem parar, embriagada pelo sangue. O jeito com que foi parada é que o Deus Thot espalhou vários jarros de cerveja pintada de vermelho pelos templos do país. Ela se embriagou, dormiu e sua ira assim diminuiu. Outra Deusa que nos traz esse conteúdo de revolta é Pele, a Deusa havaiana dos vulcões. Ela amava um Deus e o desposou. Mas sua irmã, a Deusa do mar, o tirou dela, traindo-a. Pele, em fúria, fez suas lavas brigarem muito tempo com o mar e do seu ódio foi criado o Havaí (que realmente é só lava vulcânica). Por que citar essas Deusas? Para exemplificar como se trabalha com deusas negras. Por exemplo: medite com Elas fazendo-se perguntas: 1 o que me revolta?
2 o que me enfurece?
3 quem me traiu?
4 quem me abandonou?
5 o que é capaz de me fazer destruir alguma coisa ou alguém?
6 o que aplaca minha raiva?
7 como meu ódio pode ser criador?
São as riquezas dessas respostas que a Deusa Negra tem para nos trazer. É claro que o tema é muito mais amplo. Só quero dar uma pincelada sobre ele.
A Deusa Negra nos traz muitas qualidades da sombra.
Falemos agora da famosa Lillith, conhecida como a Lua Negra. Quem é Lilith? Lillith é uma Deusa venerada na Mesopotâmia, onde havia culturas religiosas fortemente baseadas em uma prática que se convencionou chamar "prostituição sagrada". Coloco o termo entre aspas porque sempre que vemos a palavra prostituição soa em nossas mentes o alarme do conteúdo negativo que a sociedade patriarcal deu ao termo. E o que eram essas culturas? No grande templo de Innana havia o culto a Ela como grande Mãe, depois Deusa do amor. As sacerdotisas praticavam sexo ritual com homens escolhidos para que a nação tivesse as bençãos do Grande Rito: fertilidade, vida, prosperidade, boas colheitas...o coração da nação era esse templo. centenas de homens eram para lá convidados todos os dias. Hoje muitos que escrevem sobre o tema, imbuídos de uma concepção machista, tentam minimizar a importância da sacerdotisas que exerciam esse papel. A verdade é que eram muito consideradas e tinham influência política e econômica imensa, influenciando diretamente na escolha dos governantes. A porção donzela de Innana era a Deusa Lillith, e eram chamadas de Lillith as sacerdotisas mais jovens que saiam às ruas para buscar os homens escolhidos para as práticas rituais sexuais naquele dia. Lillith era " a mão da Deusa" que ia buscar os homens e trazê-los aos templos. por isso ela também é chamada de a Donzela Negra. Imaginem o choque cultural que houve quando os judeus chegaram a essa nação. Para os judeus, sexo era um mal necessário para a procriação. A mulher, uma coisa impura quando menstruava, alias, menos que um objeto. Podia ser apedrejada até a morte só por ter ousado falar mais alto, já que o marido era seu dono e senhor... Imaginem o que sentiram os patriarcais judeus em uma sociedade (eles chegaram à Babilonia como escravos) onde as mulheres eram respeitadíssimas e as sumas sacerdotisas transavam com muitos homens e eram respeitadas por isso!!!! Não é difícil perceber porque Lillith acabou sendo para os judeus uma "demônia" ou a "mãe de todos os demônios". È a famosa sombra... O que se teme - no caso a liberdade sexual da mulher, o que nos ameaça - uma mulher independente do homem- é obviamente ameaçador e deve ser "demonizado", ou seja, deve ser execrado, desprezado, amaldiçoado, rotulado como o "mal"... Quando hoje uma cabalista, por exemplo (doutrina de base essencialmente judaica) diz a uma aluna minha que "jamais invocaria um demônio como Lillith", o que ela expressa é esse profundo preconceito que os cristãos tomaram emprestado. Lillith é uma Deusa Negra que nos traz a incomparável riqueza de discutir nossa sombra em relação à sexualidade. Todo mundo sabe como a maior parte das pessoas tem medo e dificuldade até de falar sobre sexo... Quanto mais de questionar seus medos, preferências e práticas...assim se compreende facilmente as fantasias e o medo de Lillith. Bem, imaginem como a vivência do arquétipo de Lillith pode beneficiar nossa sociedade. Todos, homens e mulheres, por ela, podem discutir suas vidas sexuais, seus relacionamentos, suas amarras, seus medos, seus dilemas. Ela traz a redenção da culpa sexual, que nos torna presa fácil dos preconceitos, das vidas sempre insatisfeitas, do controle de muitos... Ela pode libertar o homem e a mulher da opressão sexual, ela pode nos ajudar a viver em um mundo de mais equilíbrio, onde um não tema o poder do outro.
Tudo isso é o trabalho da Deusa Negra em nós.
A importância de conhecer a Deusa Negra reside no fato de que não existe real conhecimento da Deusa se não se conhecem suas múltiplas facetas, da mesma forma que não nos conhecemos de verdade se não conhecermos nossa sombra. O divino feminino conhecido apenas parcialmente é aquele que persistiu nas igrejas católicas, com o culto a Maria. Maria é a Deusa, mas uma Deusa "aleijada", ou seja, que perdeu muitos de seus atributos originários. Maria é Virgem, Mãe, Consoladora, Protetora, mas não é Anciã, nem Senhora da Magia, nem Prostituta Sagrada, nem Guerreira, nem Vingadora, nem a Ceifeira, todos estes últimos atributos das Deusas Negras. É perfeitamente natural que as pessoas que começam a conhecer a wicca se adaptem facilmente a uma Deusa Mãe, protetora, gentil e distribuidora de fartura e vida. Do mesmo modo, é natural que admirem e aceitem rapidamente a Donzela sedutora e portadora da alegria e das flores. Mas quando as pessoas tem que aceitar que a Deusa não é cor-de-rosa, nem é a Barbie Cósmica, que ela tem várias faces muito difíceis de conhecer e enfrentar, tudo muda de figura. Em nossa lista de discussão aconteceu um caso que vale a pena mencionar. Muitos devem lembrar de um jovem que iniciou seu caminho na wicca, leu muito, aprendeu e começou a praticar. Um dia se sentiu pronto a trabalhar com a Deusa negra e quando fez seu ritual e contatou a Senhora da Morte pela primeira vez foi assaltado por sua formação cristã, da qual ainda era escravo. Mandou então um e-mail à lista dizendo: "A Deusa é má! Vocês cultuam o mal, uma portadora da morte". Bem, essa reação, apesar de ser uma das mais exageradas que já vi, é normal. Imaginem-se frente a frente com aquela clássica figura da Morte vestida com um manto de capuz negro e uma enorme foice na mão... Agora imaginem que Ela se aproxima de um ente querido seu, ou de vocês mesmos... Vocês conseguem, antes de conhecê-la bem, olharem para Ela e a venerarem como a Deusa? Ah, mas Ela é tão a Deusa quanto a Mãe que te pega no colo, ou a linda Donzela da Primavera...E agora? Agora a resposta é compreender o papel na Ceifeira na ordem das coisas, como a Senhora da Morte é também a Senhora dos Renascimentos. Todos nós vivemos a morte todos os dias. Imaginem quantas células do seu corpo morrem a cada dia... Imaginem quantos seres morrem perto de você (de microorganismos aos vegetais e animais que você usa para se alimentar) a cada semana... A VIDA SE ALIMENTA DA MORTE. As mulheres vivem uma importante morte todos os meses: a menstruação, aquele sangue que é sagrado porque era uma vida humana em potencial, sendo o sangramento uma pequena morte. Sem a Ceifeira a vida em nosso planeta seria impossível... Ela, a Senhora dos Ciclos, a Senhora dos Corvos, Senhora dos Ossos, Mãe do Pó, a Velha que se veste de mortalhas... Ela vem nos convidar a olhar nossas vidas e ver o que precisa ser cortado. O que é que não nos serve mais e precisamos deixar ir. Ela nos estende o espelho negro para que possamos conhecer quem realmente somos, mesmo aquelas porções de que nos envergonhamos, aquelas que têm sentimentos que nos fazem sentir culpados, as que não confessamos nem a nós mesmos... Encontrá-la pode ser a um só tempo triste e angustiante, para alguns insuportável e desesperador... Para estes, porém, daí em diante o caminho mágico estará irremediavelmente vedado.
Só a Deusa Negra é Senhora da Magia, só Ela é capaz de abrir os portais.
Por que? Porque só ela é nossa Libertadora, só ela nos arranca as cascas do auto-engano, da auto-ilusão, dos delírios de auto- importância, quando nos mostra nossos erros, nossa miséria, nossa pequenez humana. Mas é justamente ao nos mostrar as falhas de nossa humanidade que a Senhora Negra nos redime, porque afinal, para a Deusa, toda a sua criação é perfeita, inclusive nós. E por reconhecer nossa imperfeição, que nos faz humanos, Ela nos oferece todo o seu Poder e retomamos nosso Poder Pessoal.
HÉCATE, A DEUSA DAS BRUXAS
Na mitologia greco-romana Hécate ocupava um lugar muito especial. Embora seja muito pouco citada nos livros de mitologia mais conhecidos, seu culto era amplo e generalizado entre o povo. Para vocês calcularem a importância de Hécate, ela era honrada até mesmo por Zeus, como uma Titânida dos Titãs, ou seja, uma Deusa pré-olimpiana... Hécate recebia diversos títulos, como Kratay, e Eurybia, a Deusa Forte, em uma referência aos deuses que originaram o panteão grego. Tudo isso leva a crer que Hécate é uma Deusa cujo culto já se havia estabelecido antes da própria civilização grega. Uma coisa que bem revela a importância de Hécate foi o decreto de Zeus: cada vez que alguém deitasse uma oferenda na terra sem ofertá-la a nenhum Deus específico, a oferenda era de Hécate, o que significava que Zeus reconhecia que o que estava sobre a Terra era dela, em principio... Hécate é a Senhora dos Mortos, líder do que se chama em muitas mitologias " A caça selvagem". Esta se constitui de um grupo de fantasmas e animais astrais, corvos, corujas, cachorros que uivam lugubremente, que passa na Terra ao fim de cada dia para recolher as almas dos mortos naquele dia. Ouvir cães uivando a noite é sinal certo da presença de Hécate. Nunca fiz um ritual para Hécate sem os uivos ou latidos de cães. Do mesmo modo que lidera a Caça Selvagem, Hécate conduz as almas dos mortos e também os vivos, nas estradas, aos melhores caminhos, por isso é representada com uma tocha na mão. Ela é a Senhora que Guia, e assim podemos contatá-la. Hécate também preside os nascimentos, por isso é chamada Protiraya, a Senhora dos Portais, sendo a vagina o portal do ingresso nesta vida. Assim, é invocada durante os partos como condutora da alma à reencarnação, junto com Artemis (que é parteira e protetora das crianças). Infelizmente, ao menos nos livros que conheço em português, não há referências ao culto de Hécate como Senhora da Magia e dos Oráculos, geralmente por puro preconceito. Karl Kereny em sua obra de mitologia grega escreve o seguinte; "Hécate Trivia era cultuada nas encruzilhadas de Três Caminhos. O que as mulheres faziam nesses locais não é mais mitologia, pertence aos domínios da feitiçaria e como tal não abordarei o assunto". Hécate é representada também com um athame na mão, rezando a tradição que foi a criadora desse instrumento mágico. Como se trabalha com Hécate? Hécate é uma Deusa muito rica, lembrando que é uma Deusa Tríplice, possuindo, pois, aspectos de jovem, mãe e Anciã. Ela é dona do caldeirão da transformação, onde residem todas as possibilidades. Um trabalho com Hécate pode ter mil facetas justamente por isso: vc pode desde trabalhar os entraves na sua vida financeira, até seu caminho espiritual , suas capacidades mágicas e oraculares até pedir a intercessão dela em um caso de morte ou nascimento difíceis; pode pedir que Ela oriente vc ao melhor caminho nas encruzilhadas da vida... Enfim, todo o trabalho mágico pode passar por essa Deusa maravilhosa.

Não é a toa que Hécate é chamada a Deusa de todos as Bruxas (perdoem-me os que não usam o panteão grego). Falando em Hécate como senhora da Morte, vocês sabiam que um wiccaniano sempre medita na própria morte? A morte não é fim, nem é castigo para nós, então devemos nos preparar para aceitá-la como inevitável e natural. Devemos nos preparar para olhar a Ceifeira nos olhos e dizer que a amamos. Isso não é nada fácil, especialmente em um mundo voltado para coisas que fazem as pessoas disfarçarem a morte e o medo que têm dela... Quando vcs puderem olhar a Senhora Negra nos Olhos e puderem dizer a Ela: eu te amo... bem, já que vocês me perguntam tanto sobre iniciações, se eu tivesse que escolher o que marca o nascimento de uma bruxa ou bruxo eu escolheria este momento...

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