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segunda-feira, 5 de março de 2012

Bonecos e Bonecas de Vodu e + assuntos direcionados a Bruxaria



As Bonecas Vodu

Na verdade, as bonecas tipo vodu são muito mais antigas do que comumente se julga.

Essas bonecas de maldições, onde eram trespassados alfinetes e inscritas tanto orações como os pedidos da bruxaria realizada, remontam ao antigo Egito.

Exemplos delas podemos encontrar no museu do Louvre, onde ali estão exibidas bonecas usadas para fins mágicos que remontam a II-III d.C. e mesmo períodos anteriores da antiguidade Egípcia.

  As bonecas de vodu, como hoje são conhecidas, eram denominadas «Kolossoi» entre os magos Gregos.

As maldições eram executadas através da boneca, torcendo das formas mais violentas os membros dessa, assim como horríveis mutilações. Não se    pretendia com isso mutilar a vitima, nem causar a destruição física do visado pela bruxaria, mas antes confundir os seus desejos, a sua vontade e os seus esforços, de forma a que se conseguisse obter um certo fim. Por exemplo:

- se deseja uma mulher ou homem, pretende-se causar-lhe tal nível de desporte, que essa pessoa venha a cair nos braços de alguém sem saber como, tal a forma como fica fragilizado; Se deseja ganhar um negocio a um competidor, o objetivo é torná-lo de tal forma confuso e sem forças, que ele perca controle da situação e seja vencido; etc.... 



obs: NA WICCA

Podemos fazer Bonecos de Vodu para o bem com inúmeros propósitos. Use seu boneco para coisas positivas, como para a cura. Para isto são usados sete alfinetes, cada um com um símbolo diferente.

* Amarelo - Sucesso
*Branco - Positivo
* Vermelho - poder
* Vermelho - espiritualidade
* Verde - dinheiro
*Azul - romance
*Negro - Repele energia negativa











As Placas de Maldição e a origem do termo «Amarração» 

Na Grécia e em Roma, era contudo mais freqüente executar bruxaria através das Placas de Maldições, que eram folhas de chumbo preparadas para a realização de atos mágicos e espirituais. 

Os trabalhos de magia podiam igualmente ser executados em papiros preparados para esse efeito. 

É curioso que todo o tipo de maldição inscrita nas placas ou bonecas, era denominada de «amarração». 

O termo «amarração» advém do Grego «Katadesmos», «Katadesmoi», «Katadein». 

O termo deriva de um verbo encontrado nas próprias placas de maldição e que significa «prender», «amarrar»,«restringir». 

O termo é usado por Platão na sua obra «Republica», e refere-se tanto á forma física das placas de maldição, ( que são «enroladas», como que «amarradas» sobre si mesmas quando o feitiço nelas inscritas esta redigido e concluído), como á própria função das mesmas placas, que é «restringir» a vida de alguém. 

No latim, o termo provem de «defixio» que significa igualmente amarrar e que igualmente pode ser encontrado nas placas de maldição romanas. 

Por isso, o trabalho a que atualmente chamamos «amarração», não é na verdade um trabalho exclusivamente amoroso ou com fins eróticos, tal e qual hoje comumente é entendido. 

Na verdade, todo o trabalho de bruxaria era feito por via de uma maldição, e todo esse trabalho por sua vez era denominado uma «amarração». 

Explica-se:

- a amarração visava «amarrar» a pessoa visada pela bruxaria a um certo fim, a um certo destino. 

Por isso se dizia que uma pessoa embruxada tinha sido «amarrada», pois a vida dessa pessoa tinha sido restringida de forma a que certo efeitos lhe sucedessem. 

Daí o termo «amarração», que era igual a dizer que a pessoa fora «amarrada» ou «condicionada» de forma a que certos efeitos lhe sucedam na vida. 

Na antiguidade, dizer que alguém tinha sido amarrado, era equivalente a dizer que alguém tinha sido embruxado, fosse para que finalidade fosse. 

Mas o termo esotérico de «amarração» tem outra origem e explicação, esta talvez mais técnica do ponto de vista da metodologia mística. 

Nesses tempos ancestrais, através do processo mágico, entendia-se que a alma da pessoa visada pela bruxaria era amarrada a um espírito de um morto, sendo que o espírito desse morto iria ficar na vida da pessoa amaldiçoada, até que esse espírito do falecido fizesse cumprir o objetivo da bruxaria na vida dessa pessoa enfeitiçada. 






Para melhor entender: 

os cemitérios eram por isso tidos como locais férteis para a pratica de bruxarias, porquanto neles abundavam espíritos de mortos. 

A placa de maldição, onde estavam inscritas orações de conjuro, a maldição e o nome da vitima, era amarrada á mão do morto, ou amarrada ao corpo do morto. 

Desta forma, procurava-se através de um método necromantico, que o espírito do defunto a quem a bruxaria foi amarrada, se encarregasse de ir para a vida da pessoa embruxada e cumprisse a missão que lhe foi encomendada. 

No fundo, o contacto da placa de maldição com o morto, deveria através de um processo de necromancia, levar a vitima e ser restringida pela ação do espírito desse mesmo morto. 

A vitima era quase sempre assinalada na Placa de Maldição pelo seu nome e pelo nome da sua mãe, pois a mãe era uma fonte segura de identificação certa da vitima, ao passo que a identificação do pai poderia levar a equívocos. 

Dessa situação, falava o provérbio latim, ao declarar: «Pater incertus, Mater certa». 
Locais de Despacho das Placas de Maldição 

As sepulturas eram os locais fundamentais para se proceder ao deposito das Placas de Maldição, e assim a completar execução de um trabalho de bruxaria por meios de uma maldição. 

As sepulturas ou covas preferidas pelos bruxos, eram as de pessoa que tinham falecido tragicamente e vitimas de morte violenta. 

Assim era praticado, pois diziam os velhos conhecimentos espirituais que as almas daqueles que morreram prematuramente vagueiam perto das suas covas em tormento e sem descanso, até que chegue a altura em que deveriam ter partido para o mundo espiritual. Até chegar essa hora, todos esses espíritos que vagueiam se descanso na terra, são passiveis de serem facilmente invocados. 

Também os campos de batalha, assim como os locais de execução de pessoas, ou mesmo os locais em que as pessoas tinham falecido sem oportunidade de se lhes oferecer os últimos ritos de funeral, eram também outros dos mais poderosos locais para a execução de bruxarias na forma de maldições. 

Como já foi explicado, sabia-se que a alma de pessoas que faleceram de morte violenta, ou que o espírito de pessoas que morreram prematuramente, iriam permanecer vagando por este mundo até que chegasse a hora em que deveriam na verdade ter falecido, e apenas nessa hora as ditas almas amarguradas abandonariam este mundo. 

Como essas almas vitimas de morte violenta ou prematuras, faleceram antes dessa hora, dizia-se que esses espíritos estavam condenados a percorrer este mundo como fantasmas em tormentos. Ora, os campos de batalha e os locais de execução de criminosos eram locais férteis em pessoas que tinham sido mortas de forma violenta e certamente abreviando a sua vida, ou seja, provavelmente em alguns casos seriam pessoas que faleceram antes da sua hora. 

Sabia-se igualmente que mesma sorte sofrem aqueles que morreram sem oportunidade de se lhes prestar um funeral condigno e os últimos ritos de enterro. 

A esses, os Gregos denominavam «Atelestoi». 

Ora, juntar ao cadáver dessas pessoas a Placa de Maldição com uma bruxaria ( sempre que possível, a Placa de Maldição era amarrada ao defunto), era influenciar o espírito atormentado desse defunto a atormentar a vida da pessoa visada pela bruxaria, causando-lhe assim restrições. Essas restrições que a vitima iria sofrer, iriam a seu tempo conduzir á produção dos objetivos ditados pela magia que fora feita. 

Se por exemplo uma maldição tinha sido lançada para que um desportista perdesse uma competição, o espírito do morto ao qual essa pessoa foi «amarrada» iria aturar na vida dessa mesma pessoa de forma a afetar-lhe e restringir-lhe a saúde tanto psicológica como física. A seu tempo, a vitima acabava por ficar desconcentrada, descontrolada e mesmo fragilizada tanto mentalmente como fisicamente,o que facilmente podia conduzir ao aparecimento de lesões e subseqüentemente á perda de uma competição. Por este breve exemplo, é fácil entender como um espírito que foi «amarrado» á vida de uma pessoa, pode «restringir» essa mesma de forma produzir os efeitos desejados por uma maldição. 

Ao espírito do atormentado era endereçado um pedido, e o atormentado iria fazer com que esse pedido fosse realizado na vida da vitima dessa bruxaria. 

Como funciona a Bruxaria: as Maldições na forma das Amarrações 

Tal como se pode verificar por todo o exposto, o termo «amarração» descrevia não apenas uma bruxaria com fins sentimentais ou eróticos, mas antes tudo aquilo que era uma bruxaria. 

Podemos mesmo concluir que o termo «amarração», nasce desta pratica mágica de natureza necromante, ou seja, a bruxaria por via da qual uma maldição era «amarrada» a um morto, de forma a que o espírito desse morto fosse também «amarrado» á alma da pessoa atingida pela feitiçaria, de forma a que o espírito do morto «restringisse» a sua vitima e assim, fizesse cumprir na vida da mesma os fins a que o trabalho se propunha cumprir. 

Como também podemos facilmente concluir, toda a bruxaria esta fortemente ligada á produção de maldições com fins específicos, e a execução dessas maldições é conseguida através de processos de necromancia, ou seja, por via da invocação dos espíritos de mortos. 

E logo assim, entendemos que os espíritos dos mortos, uma vez «amarrados» á pessoa atingida pela bruxaria, causam nas suas vitimas uma ação de «amarração», ou seja, «restringe»m a vida dessa pessoa de tal forma até que nela vão suceder os eventos enunciados pela maldição. 

Estes esclarecimentos históricos são importantes, para que se possa compreender como, na verdade, funciona a bruxaria. Claro que não estamos nos referindo a bruxaria Natural,Tradicional e muito menos a Wicca aqui.

Bruxaria e a Iniciação do Primeiro Grau
Formalmente a iniciação de primeiro grau torna-a uma bruxa(o) comum. Mas é claro que é um pouco mais complicado que isso.
Como todos os bruxos experientes, existem algumas pessoas que são bruxas (ou bruxos) de nascimento muitas vezes podem tê-lo sido desde uma encarnação passada.""Visando que seria os dons herdados geneticamente de uma vida passada"" Uma boa Sacerdotisa ''ou e com ''um  Sacerdote costuma detectá-las. Iniciar um destes bruxos não é "fazer uma bruxa"; é muito mais um gesto bidirecional de identificação e reconhecimento e claro, um Ritual de boas-vindas de uma mais-valia de peso ao Coventículo,logo em seguida vem a analise do que essa pessoa traz de herança genética e porque optou por ser iniciado pois apartir da iniciação o membro seguira um termo de fidelidade e responsabilidades com alguns conceitos que a sacerdotisa /(o) determinara..
No outro extremo, existem os que são mais lentos ou menos aptos muitas vezes boas pessoas, sinceras e trabalhadoras que o iniciador sabe que têm um longo caminho a percorrer, e provavelmente muitos obstáculos e condições adversas a ultrapassar, antes de se poderem chamar verdadeiros bruxos. Mas mesmo para estes, a Iniciação não é um mero formalismo, se o iniciador conhecer a sua Arte. Pode dar-lhes uma sensação de integração, um sentimento que um importante marco foi ultrapassado; e apenas por lhes atribuir a qualidade de candidato, (apesar de não parecer terem qualquer dom), o direito de se auto-denominarem bruxos, encoraja-os a trabalhar arduamente para merecerem esta qualidade. E alguns menos aptos podem tomá-lo de surpresa com uma aceleração súbita no seu desenvolvimento após a iniciação; então saberão que a iniciação resultou.
No meio, encontra-se a maioria; os candidatos de potencial médio e forte capacidade de evolução que, se apercebem de uma forma mais ou menos clara que a Wicca é o caminho que têm procurado e porquê, mas que ainda estão no início da exploração das suas capacidades. Para estes, uma Iniciação bem conduzida pode ser uma experiência poderosa e incentivante, um genuíno salto dialético no seu desenvolvimento psíquico e emocional. Um bom iniciador tudo fará para que isso aconteça.
Na verdade, o iniciador não está sozinho na sua tarefa (e não nos estamos apenas a referir ao apoio de algum companheiro ou dos outros membros do Coventículo). Uma Iniciação é um Ritual Mágico, que evoca poderes e deve ser conduzido com a confiança plena que esses poderes invocados se irão manifestar.



Toda a iniciação, em qualquer religião genuína, é uma morte e renascimento simbólicos, suportados de forma consciente. No Ritual Wicca este processo é simbolizado pela venda e amarração, o desafio, a provação aceite, a remoção final da venda e das amarras é a consagração de uma nova vida. O iniciador deve manter este objetivo claro na sua mente e concentrar-se nele, e o Ritual em si deve provocar a mesma sensação na mente do candidato.
Em séculos mais remotos a imagem de morte e ressurreição era sem dúvida ainda mais notória e explícita e provavelmente desenrolava-se ainda com muito menos palavras. A famosa bruxa de Sheffield, Patrícia Crowther, refere até que ponto ela teve esta experiência durante a sua Iniciação por Gerald Gardner. O Ritual era Gardneriano normal, basicamente da mesma forma que o descrevemos nesta secção, mas antes do Juramento, Gardner ajoelhou-se ao seu lado e meditou durante um bocado. Patrícia enquanto esperava entrou subitamente em transe (que veio a descobrir mais tarde ter durado 40 minutos) ao que parece recordou uma reencarnação passada. Ela viu-se a ser transportada por um grupo de mulheres nuas numa procissão de archotes que se dirigia para uma caverna. Elas saíram, deixando-a aterrorizada no meio da escuridão absoluta. Gradualmente conquistou o seu medo, acalmou e no devido tempo as mulheres voltaram. Ficaram em linha com as pernas abertas e ordenaram-lhe que passasse, amarrada como estava, através de um túnel de pernas que se assemelhavam a uma vagina, enquanto que as mulheres uivavam e gritavam como se tivessem a ter um filho. Enquanto ela passava, foi puxada pelos pés e as amarras foram cortadas. A líder encarando-a "ofereceu-me os seus seios, simbolizando que me iria proteger como ela o faria aos seus próprios filhos. O corte das amarras simbolizava o corte do cordão umbilical". Ela teve que beijar os seios que lhe foram oferecidos, tendo sido depois salpicada com água ao mesmo tempo que lhe diziam que tinha renascido no sacerdócio dos Mistérios da Lua.
Gardner comentou, quando ela voltou à consciência: "durante muito tempo eu tive a idéia que se costumava fazer algo como aquilo que tinhas descrito e agora sei que não estava longe da verdade. Deve ter acontecido há séculos atrás, muito antes dos rituais verbais terem sido adaptados pela Arte."
A morte e o renascimento com todos os seus terrores e promessas, dificilmente poderia ser muito dramatizado; e temos a sensação que a recordação de Patrícia era genuína. Ela obviamente é uma bruxa nata de há muito tempo atrás.
Mas vamos retornar ao Ritual Gardneriano. Para este efeito não tínhamos apenas três textos mas quatro; somados aos textos A, B e C (ver pág. 3?) existe a obra de Gardner denominada High Magic's Aid. Esta obra foi publicada em 1941, antes da cessação da lei Witchcraft Acts na Inglaterra e, antes dos seus livros Witchcraft Today (1954) e The Meaning of Witchcraft (1959). Neste, Gardner revelou pela primeira vez em ficção algum do material que tinha aprendido com o seu Coventículo. No Capítulo XVII a bruxa Morven faz o herói Jan atravessar a sua iniciação do 1º Grau e o Ritual é descrito em detalhe. Pensamos que essa descrição foi muito útil para a clarificação de um ou dois pontos obscuros, por exemplo, a ordem de "os pés nem estarem amarrados nem livres", que conhecíamos da nossa própria Iniciação Alexandrina, mas suspeitávamos estar deslocada. 
O Ritual de 1º Grau, provavelmente foi alterado pelo menos à data em que o Livro das Sombras, atingiu a fase do texto C. Isto acontece porque de entre o material incompleto na posse do Coventículo de New Forest teria sido naturalmente a parte que sobreviveu mais completa na sua forma original. Gerald Gardner não teria necessidade de preencher as falhas com material Crowleiano ou outro material não wiccano e desta forma Doreen Valiente não teve que sugerir o tipo de transcrição que era necessário "por exemplo para o da energia exortação".
Na prática wiccana, um homem é sempre iniciado por uma mulher e uma mulher por um homem. E apenas uma bruxa de 2º ou 3º Grau pode conduzir uma Iniciação. Existe uma exceção especial a cada destas regras.
A primeira exceção, uma mulher pode iniciar a sua filha ou um homem o seu filho, "porque são parte deles". Alex Sanders ensinou-nos que isto poderia ser feito numa emergência, mas o Livro das Sombras de Gardner não apresenta esta restrição.
A outra exceção, refere-se a única situação em que uma bruxa(o) de 1º Grau (e uma totalmente nova), pode iniciar outra. A Wicca põe grande ênfase na parceria de trabalho homem/mulher e muitos Coventículos ficam deliciados quando um casal avança para a Iniciação juntos. Um método muito agradável de levar a cabo uma dupla Iniciação como esta, é exemplificado pelo caso de Patrícia e Arnold Crowther (que na altura ainda eram casados) por Gerald Gardner.
Gardner, começou por Iniciar Patrícia enquanto Arnold esperava fora do quarto, então ele pôs o Livro das Sombras nas mãos dela incitando-a enquanto ela própria iniciava Arnold. "Esta é a forma que sempre foi feita", disse-lhe Gardner mas temos que admitir que esta forma era desconhecida para nós até lermos o livro de Patrícia.
Gostamos desta fórmula; cria uma ligação especial, no sentido wiccano da palavra, entre os dois Iniciados desde o princípio no trabalho do Coventículo. Doreen Valiente confirmou-nos que esta era a prática freqüente de Gardner, e acrescenta: "De outra forma, no entanto, mantínhamos a regra que apenas um bruxo de 2º ou 3º Grau poderia fazer uma Iniciação".
Gostávamos de mencionar aqui duas diferenças "para além dos pequenos pontos que se notam no texto", entre o Ritual de Iniciação Alexandrino e o Gardneriano, este último temos tomado como modelo. Não mencionamos estas diferenças com algum espírito sectário todos os Coventículos vão e devem fazer o que sentem melhor para eles mas apenas para registrar qual é qual e expressar as nossas próprias preferências, aquelas que nos servem de modelo.
Primeiro, o método de trazer o Postulante para o Círculo. Na tradição Gardneriana ele é empurrado para o Círculo, por trás; depois da declaração do Iniciador, "Eu dou-te uma terceira para passares através desta Porta do Mistério", ele apenas acrescenta de forma misteriosa "dá-lhe".
O livro High Magic's Aid é mais específico: "Abraçando-o por trás com o seu braço esquerdo à volta da cintura e põe o braço direito dele à volta do seu pescoço e vira-se para ela e diz: "Eu dou-te a terceira senha; "Um beijo". Ao dizer isso, ela empurra-o com o seu corpo através da porta para dentro do Círculo. Uma vez lá dentro ela liberta-o, segredando: "Esta é a forma que todos são trazidos pela primeira vez para o Círculo" (High Magic's Aid, ).
É claro que, o pacto de pôr o braço direito do Iniciador à volta do pescoço não é possível se os pulsos destes estiverem amarrados; e rodar a sua cabeça com a sua mão para o beijar sobre o ombro, é quase impossível se ele for muito mais alto que ela. Esta é a razão por que sugerimos que ela o beije antes de passar por detrás dele. É o pacto de empurrar por trás que é a tradição essencial; por certo que o Coventículo de Gardner sempre o fez.
"Penso que a intenção original era ser uma espécie de teste", diz-nos Patrícia, "porque alguém podia perguntar, como no High Magic's Aid, quem te trouxe para um Círculo?" a resposta era "Eles trouxeram-me por trás".
A prática Alexandrina era segurar os ombros do iniciado à sua frente, beijá-lo e então puxá-lo para dentro do Círculo, rodando-o em sentido dócil. Esta foi a forma como fomos os dois Iniciados e não nos sentimos pior por isso.
Mas não vemos nenhuma razão, agora, para partir da tradição original especialmente porque ela tem um interesse histórico inerente; por isso, viramo-nos para o método Gardneriano.
Quando Stewart visitou o Museu das Bruxas na Ilha de Man em 1972 (à data aos cuidados de Monique Wilson, a quem Gardner deixou a sua coleção insubstituível que ela mais tarde de forma imperdoável vendeu à América), Monique disse-lhe que como não tinha sido empurrado por trás para dentro do Círculo na sua Iniciação, "nenhuma verdadeira bruxa se associaria a ele". Então ela ofereceu-se para o iniciar "da forma devida". O Stewart agradeceu-lhe educadamente mas declinou o convite. As precauções e os formalismos poderiam ter um fundamento válido nos tempos das perseguições; insistir no assunto agora é mero sectarismo.
O segundo maior afastamento Alexandrino da Tradição reside no pacto de tirar as medidas. Os Coventículos Gardnerianos retém a medida; os Alexandrinos da Tradição devolvem-nas ao Postulante.
No Ritual Alexandrino, a medida é tirada com um fio vermelho de linho, não composto, apenas da coroa aos calcanhares, omitindo as medidas da cabeça, peito e ancas. O Iniciador diz: "Agora vamos tirar-te as medidas e medimos-te da coroa da tua cabeça até às solas dos teus pés. Nos tempos antigos, quando  ao tirarem a tua medida também retiravam amostras do cabelo e unhas do teu corpo. O Coventículo guardaria então a medida e as amostras e se tentasses sair do Coventículo trabalhariam com eles para te trazer de volta e nunca mais de lá sairias. Mas como vieste para o nosso Círculo com duas expressões perfeitas, Amor Perfeito e Confiança Perfeita, devolvemos-te a medida, e ordenamos-te que a uses no teu braço esquerdo".
A medida é atada à volta do braço esquerdo do Postulante até ao fim do Ritual, depois do qual, poderá fazer aquilo que entender com ela. A maior parte dos Iniciados destroem-nos, outros guardam-nos como recordação, outros põe-nos em medalhões e dão-nos de presentes aos seus companheiros de trabalho.
O simbolismo do "Amor e Confiança" no costume Alexandrino é claro, e alguns Coventículos podem preferi-lo. Mas sentimos que há ainda mais a dizer acerca do Coventículo guardar a medida, não como chantagem, mas como uma lembrança simbólica da nova responsabilidade do Iniciado perante o Coventículo. De outra forma não parece fazer sentido algum tirá-la.
Doreen diz-nos: "A idéia de devolver a medida é, na minha opinião, uma inovação de Sanders. Na tradição de Gerald, era sempre retida pelo Iniciador. Nunca, no entanto, existia alguma intenção que a medida fosse utilizada na forma chantagista descrita no Ritual Alexandrino. Ao invés, se alguém quisesse sair do Coventículo, eram livres de o fazer, desde que respeitassem da confiança dos outros membros e mantivessem os Segredos. Afinal de contas, qual é a lógica de manter alguém no Coventículo contra a sua vontade? As suas más vibrações só estragariam tudo. Mas nos tempos antigos a medida era usada contra qualquer pessoa que deliberada e maliciosamente traísse os Segredos. Gerald disse-me que "a medida era então enterrada num local lamacento, com a maldição de que apodrecesse, assim como o traidor". Lembrem-se, traição naqueles tempos era uma questão de vida ou de morte literalmente!"
Sublinhamos de novo perspectivas das diferenças em detalhe, podem ser fortemente mantidas, mas no final é a decisão do Coventículo que interessa quanto a uma forma particular, ou até em encontrar uma forma própria. A validade de uma Iniciação não depende nunca dos pormenores. Depende apenas, da sinceridade e efetividade psíquica, espiritual do Coventículo, e da sinceridade e potencial psíquico do Iniciado. É como diz a Deusa na Exortação: "E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo".
Dar importância demasiado aos pormenores tem sido, infelizmente, a doença de muitas doutrinas cristãs, incluindo aquelas que tinham as suas origens na beleza; os bruxos não devem cair na mesma armadilha. Somos tentados a dizer que as doutrinas deviam ser escritas por poetas e não por teólogos.
Uma palavra para os nomes Cernunnos e Aradia, os nomes de Deuses usados no Livro das Sombras de Gardner. Aradia, foi adaptada dos bruxos da Toscânia (ver o livro de Charles G. Leland, Aradia, O Evangelho do Bruxos); sobre as suas possíveis ligações celtas, ver o nosso livro Oito Sabbats para Bruxas, p. 84. Cernunnos (ou como lhe chama Jean Markale no seu Mulheres Celtas, Cerunnos) é o nome dado pelos arqueólogos ao Deus Cornudo celta, porque não obstante terem sido encontradas muitas representações deste, em todo o lado desde o Caldeirão Gundestrop até ao monte Tara (ver fotografia 10), apenas uma destas tem um nome inscrito um baixo relevo encontrado em 1710 na Igreja de Notre Dame em Paris, que se encontra agora no Museu de Cluny na mesma cidade. O sufixo "-os"sugere ter sido uma elitização de um nome celta; os druidas são conhecidos por serem familiares com o grego e terem usado este alfabeto para as suas transações em assuntos vulgares, apesar neste caso as letras atuais serem romanas. Note-se também que o grego para "corno" é (Keras). Doreen Valiente sugere (e concordamos com ela) era na verdade Herne (como em Herne o Caçador, do Windsor Great Park). "Alguma vez ouviram o choro de um Veado (Fallow deer) no cio?" pergunta ela. "Ouvirão sempre durante o cio outonal do Veado na New Forest, e soa exatamente como "HERR-NN... Herr-rr-nn..." repetido vezes sem conta. É um som emocionante e nunca o esqueceremos. Agora, das pinturas rupestres em grutas e estátuas que encontramos dele, Cernunnos era eminentemente um Deus-Veado. Então como é que os mortais o denominaram melhor? Certamente pelo som que da forma mais intensa lembra um dos grandes Veados da Floresta".
Para cada um deles podemos acrescentar que o intercâmbio dos sons "h" e "k" é sugerido pelos nomes de lugares como Abbas em Donset, local do famoso Gigante de Hillside. Existe um número razoável de lugares denominados Herne Hill em Inglaterra, bem como duas Herne Villages, uma Herne Bay, uma Herne Drove, uma Hernebridge, uma Herne Armour, uma Herne Pound, e por aí fora. Herne Hill é algumas vezes explicado como significando "Monte da Garça" mas, como Doreen explica, as garças procriam junto aos rios e lagos e não em montes; "parece mais provável para mim que Herne Hill era sagrado para o Velho Deus".
No Livro Alexandrino das Sombras, o nome é "Karnayna" mas esta forma não surge em mais nenhum local, que quer eu quer a Doreen tenhamos visto. Ela pensa que "é provavelmente não com certeza uma confusão auditiva com Cernunnos. O nome atual pode ter sido omitido no livro de onde Alex copiou, e ele teve que se apoiar numa recordação verbal de alguém". (conhecendo o Alex, diríamos "quase de certeza"!)
No texto que se segue, o Iniciador pode ser a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, dependendo se o Iniciado for homem ou mulher; assim, referimo-nos ao Iniciador como "ela" por uma questão de simplicidade, e ao "Postulante" (mais tarde "Iniciado") como "ele" apesar de poder ser ao contrário, obviamente. O companheiro de trabalho do Iniciador, quer seja Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, tem certamente também deveres a desempenhar, e é referido como o "Companheiro".
      Não existe essa besteira de  "auto-iniciação", e normalmente os falsos bruxos me atacam por causa disto, porque eles, como falsos bruxos, não tem a oportunidade de ter um contato com uma verdadeira bruxa que possa iniciá-los, e mesmo que tivessem esse contato, dificilmente um verdadeiro Adepto da Arte da Deusa iria iniciar algumas dessas pessoas que hoje batem no peito e gritam aos quatro ventos que são Grandes Sacerdotes . E costumam ser pessoas que dizem ter sido iniciadas em algum país distante e por pessoas cujos nomes são absolutamente  desconhecidos, de forma que não há como saber se é verdade ou não, embora baste usar o discernimento para saber que na grande maioria dos casos essas "iniciações"  foram inventadas. Declarar ter sido iniciado na Irlanda, na Escócia ou na Europa Oriental são o hit do momento.  Assim, a eles só resta mesmo se  "auto-iniciar"  e achar que esse método é plenamente válido, quando não radicalizam e acham que esse é oúnico método de iniciação que reconhecem. Aí duas ou três dessas pessoas nessas condições se reúnem e passam a achar que constituem um coven, e convidam outros a ingressar nesse "coven", ignorando o tempo de um ano e um dia que deve ser observado, se bem que no caso deles isso nem faz nenhuma diferença já que ninguém ali é bruxo. Às vezes aparecem aqueles que ainda cobram por essas iniciações, e o pior é que muitas vezes encontram quem pague e ainda acredite que agora é mesmo iniciado. Muitas pessoas se equivocam e dizem ser auto-iniciadas quando na verdade querem dizer que fizeram a suaDEDICAÇÃO à Deusa, o que é algo bem diferente de "auto-iniciação", que é uma bobagem absurda.   E em muitas outras vezes esses falsos bruxos na verdade montam uma espécie de negócio, onde cobram por suas  "palestras preparatórias", cobram por  "despesas de ritual" e finalmente cobram a tal "iniciação de coven", como se eles tivessem alguma autoridade para iniciar alguém, já que quase sempre nem eles mesmos são iniciados e ainda que o fossem jamais poderiam cobrar.  Todo iniciado sabe bem disto, sabe que é proibido vender iniciações. Só mesmo os falsos bruxos vão se aborrecer com minhas palavras, já que elas descrevem exatamente a situação deles. NENHUM MESTRE PODE COBRAR NADA DE SEUS DISCÍPULOS. NÃO EXISTE PAGAMENTO POR INICIAÇÕES E ENSINAMENTOS. Por mais que queiram negar ou distorcer a realidade o fato é que NINGUÉM INICIA A SI MESMO. A figura do mestre é indispensável e é assim nas Ordens, e é assim na Bruxaria Ancestral. Foi só nos cultos new age que tentaram mudar isso porque obviamente que se esses simplórios não se "auto-iniciarem" nunca terão uma "iniciação".  E por incrível que pareça, muitos desses paranóicos acham que uma "auto-iniciação"  tem o mesmo peso e significado de uma iniciação genuína, de maneira que qualquer adolescente desmiolada que tenha feito uma "auto-iniciação" de 15 minutos em seu quarto acha que é tão bruxa quanto aquela pessoa que se submeteu aos ritos e foi discípula de uma bruxa mais experiente. Os falsos  bruxos que comandam esse desborde  sabem disso mas incentivam as auto-iniciações porque quanto mais "bruxos" mais clientes para as palestras, compra de livros, iniciações de coven, etc. É preciso que a pessoa acredite que é mesmo uma bruxa e assim será um cliente em potencial para muitos desses malandros que fazem seu comércio entre esses simplórios que acham que ser uma bruxa é essa facilidade toda de assistir uma palestra e depois dançar ao redor de uma fogueira e pronto, foi iniciada num coven, e tudo isso custando baratinho ! 
 Outro ponto de atrito com os falsos bruxos é a  definição de Magia Negra explicada pela Alta Magia, onde incluímos  todas essas simpatias de  "amarrar a pessoa amada" e coisas semelhantes.   Os falsos bruxos costumam dizer que está errado esse tipo de definição.  Mas o fazem porque eles praticam isso o tempo todo, pois foi o que aprenderam em livros comprados em bancas de jornais e em revistas de fofocas  e não é agradável que venha alguém lhes dizer que aquilo é Magia Negra pois interfere no livre-arbítrio (aliás, a maioria desses auto-iludidos  sequer sabe o que vem a ser livre-arbítrio e seria exigir muito alguém querer que eles soubessem disto.)      Falsos bruxos não gostam de ser contestados, porque seus argumentos não resistem a uma discussão.   Mas o fato é que até mesmo acender uma vela ao santo de devoção pedindo que ele faça com que determinada pessoa faça isso ou aquilo é Magia Negra e falta de ética.   Um grande equívoco de alguns pseudo-bruxos é quando "receitam"  uma simpatia "de amarração" e em dado momento essa simpatia inclui alguma data do calendário cristão (como a noite de São João) ou inclui alguma reza a um determinado santo católico. Se gostam de se dizer pagãos deveriam entender que não se admite essa relação com o panteão católico romano. Obviamente que seria querer demais esperar que os falsos bruxos tivessem alcance intelectual  para entender isso. Mas acho que está incorreto referir-se a eles como falsos bruxos, porque isso pressupõe que sejam bruxos, mas falsos.  Não são nem isso.  O melhor é chamar-lhes de pseudo-bruxos, que felizmente não são levados a sério, a não ser entre si, principalmente quando adotam algum nickname  impressionante mas que só impressionam a outros simplórios. Mas o mais interessante é que existe agora dentro dessas seitas uma modalidade nova de "pagão-cristãos", ou  "bruxas-católicas". É algo realmente muito engraçado ver essas pessoas que se dizem pagãos freqüentando missas, e ainda dizendo que fazem novenas e até participam de procissões católicas.
                  Se alguém deseja fazer um feitiço ou simpatia  visando obter o amor de alguém esse feitiço ou simpatia tem de se limitar a tornar a própria pessoa mais atraente aos olhos da pessoa que lhe desperta interesse, mas JAMAIS deve interferir no livre-arbítrio alheio e lhe impor algo contra a sua vontade.  Através de um feitiço a pessoa pode tornar a si mesma mais interessante aos olhos da outra, e isso pode ser feito. O que não pode é tentar escravizar seu semelhante mediante magias. Interferir com a energia de outra pessoa contra a vontade dela é sempre um ato de Magia Negra. Apenas os cultos alternativos e seitas new age endossam essas interferências.






ESTRUTURA DE UM RITUAL

Podemos entender um ritual, dentro da Wicca, como uma conjugação de diversos elementos, dentre os quais três se destacam: ele é um momento de culto simbólico, um momento de aprendizagem e também um momento de prática mágica. Para suprir essas funções, ele é constituído de fases, ou partes específicas, que detalharemos nesse tópico de nosso curso. No entanto, dependendo de sua finalidade e da concepção particular de quem o celebra, um ou mais desses elementos podem não estar presentes em um ritual: um sabá, por exemplo, que possui um caráter intrínseco principal de celebração, não é o momento mais apropriado para se fazer magia e, dessa forma, dispensaria aquelas partes que se referissem unicamente a ela.
Pode-se dizer que o "ritual típico" é aquele que é realizado por um coven, ou grupo de praticantes, que se reúne regularmente no contexto das cerimônias lunares, ou esbás, como descrevemos no tópico anterior, e que é parte de um processo mais ou menos longo de instrução e de convivência mútua entre os seus membros. Dessa maneira, ele precisa ter um objetivo, que se encaixe e coadune com o fio condutor do próprio grupo, e não ser uma mera repetição de fórmulas pré-estabelecidas.





O local e os participantes

Seria inútil dizer que, por ser basicamente um ato de integração com as forças naturais, um ritual wiccan deveria ser realizado, de preferência, em um local aberto e junto à natureza. Um bosque ou parque seria certamente o ideal, mas isso nem sempre é possível, por motivos que vão desde as condições climáticas até a privacidade.
De qualquer maneira, seja ao ar livre ou em um local fechado, esse local escolhido estará, de algum modo, fazendo as funções de templo pelo período do ritual. Dessa forma, ele precisa ser convenientemente preparado para isso, exatamente da mesma forma que, ao darmos uma festa, arrumamos nossa casa para receber os convidados: providencia-se espaço para que todos possam se acomodar, deixa-se à mão tudo que será necessário, coloca-se para tocar a música conveniente.
Como poucos são os grupos que dispõem de um lugar fixo, destinado exclusivamente a estas reuniões e já preparados para isto, essas recomendações se tornam mais importantes. O "clima", ou seja, o ambiente específico de um ritual é certamente diferente daquele que reina habitualmente na sala de estar de uma casa. Embora muito se possa teorizar a respeito disso, a verdade é que as atividades normalmente desenvolvidas em um determinado local parecem "impregnar" de alguma forma esse local, não importando se isso acontece realmente ou se é apenas a impressão que nos passa. Basta lembrarmos que a sensação que temos dentro de uma igreja é certamente diferente daquela que temos no pronto-socorro de um hospital. Seja como for, uma vez que o componente psicológico é parte essencial da magia, é importante que o ambiente propício esteja formado.
Dentro dessa linha de pensamento, costuma-se proceder, além de uma limpeza "real", uma "limpeza ritual" no local onde será celebrado um ritual. Uma das maneiras de fazê-lo, embora existam várias outras, é utilizar uma vassoura especificamente destinada para este fim e "varrer" o local com movimentos circulares no sentido anti-horário, visualizando que todas as "energias" estranhas ao objetivo desejado estão sendo removidas pelo movimento. Elementos que são tradicionais em diversas manifestações de caráter ritual, como o uso do incenso, foram igualmente incorporados à Wicca para se criar esse ambiente propício.
Da mesma maneira que o local, é importante que as pessoas que participarão do ritual passem, igualmente, por esse processo de limpeza. Para isso, a própria pessoa que oficiará o ritual ou alguém por ela designada repetirá em cada um dos participantes o processo de "limpeza ritual", geralmente antes que eles sejam admitidos no local onde os ritos se darão. O processo de limpeza pessoal comporta ainda mais variações do que o do local, mas geralmente admite-se que essa limpeza será feita com o auxílio de um ou mais dos quatro elementos: movimentos em torno da pessoa com um bastão de incenso aceso ou com o athame me caracterizariam uma limpeza através do elemento Ar; movimentos semelhantes com o bastão teriam o caráter de uma limpeza através do Fogo; aspergir-se algumas gotas de água do cálice seria uma limpeza pelo elemento Água e o uso de uma pitada de sal, ou cinzas, teriam o efeito de uma limpeza pela Terra.
É importante acrescentar que não se pode, de forma alguma, afirmar que qualquer uma dessas práticas produza qualquer resultado efetivo a não ser começar a criar um clima psicológico apropriado, entre os participantes, para a cerimônia que se realizará. Quando se fala em ritual, fala-se em um conjunto de atos estabelecidos pelo uso, que têm uma finalidade em si, e não necessariamente nos efeitos palpáveis de cada um desses atos.

O Altar







No local onde se realizará o ritual wiccan, costuma-se dispor alguns elementos de forma determinada, constituindo um altar, em torno do qual se realizará a cerimônia. Vários praticantes costumam, mesmo, ter um altar fixo em suas casas, geralmente servindo como depositário de seus instrumentos mágicos e de outros objetos representativos do culto. Os objetos e o próprio altar são dispostos de acordo com os pontos cardeais, referindo-se à ligação de cada um desses objetos com os elementos e suas direções.




Além dos instrumentos mágicos, há uma relativa diversidade nos objetos que são colocados no altar, mas podemos ter uma idéia geral através do esquema abaixo. Em relação aos pontos cardeais, utilizamos a orientação dos elementos que achamos mais adequada para o Hemisfério Sul:

Os elementos que representamos são aqueles que consideramos básicos, tanto pelo seu significado quanto pela sua possível utilização efetiva em um ritual. Temos visto vários acréscimos, de acordo com cada pessoa que monta o seu altar e com a ocasião específica para o qual ele é montado: pedras, galhos e sal são acrescentados ao elemento Terra; incenso, penas de pássaros, sinos e outros instrumentos musicais colocam-se no elemento Ar; determinados tipos de cristais, bem como alguns símbolos fálicos são esporadicamente colocados juntos ao bastão e conchas e cristais transparentes junto à taça. No centro, junto ao caldeirão e às velas, não é incomum acrescentar-se estátuas ou imagens representando a Deusa e o Deus, ou símbolos correspondentes, como, por exemplo, um chifre para o Deus e uma concha em forma de vulva para a Deusa. Em certas situações, coloca-se igualmente no altar alimentos que serão consumidos após o ritual, e sua decoração pode variar de acordo com a estação específica do ano que se está atravessando.
Independentemente dos acessórios que se coloque num altar, o essencial é que ele é um tipo de síntese dos próprios elementos formadores e significativos da doutrina, uma representação do macrocosmo, tendo, em si, um alto grau de simbolismo. Nesse ponto, embora seja inegável o paralelo entre o altar wiccan e a mesa de trabalho dos ocultistas, ou da Magia Cerimonial2, o primeiro transcende o aspecto puramente prático desta última, não sendo, em absoluto, um simples local de apoio dos instrumentos a serem utilizados durante o ritual, mas antes consistindo no próprio centro focal do local onde este será realizado.

A Invocação dos Elementos e o Círculo




Conjurar, ou traçar, um círculo mágico, no interior do qual o ritual se processa, é uma prática wiccan que remete diretamente àquelas influências da Magia Cerimonial em sua formação. Por isso mesmo, é um elemento ritual que provoca alguma controvérsia, sendo muitas vezes bem pouco compreendido mesmo por praticantes experientes da Wicca. Isso se dá porque o costume de traçar o círculo já se tornou arraigado o suficiente para não ser mais motivo de discussão em seus significados.
Na verdade, o significado do círculo mágico, na Magia Cerimonial e mesmo em outras formas mais antigas de magia, é proporcionar proteção ao mago. Seria um espaço de isolamento, onde ele estaria a salvo das próprias energias ou seres que ele pretende, com seu rito, invocar e dominar. Encontramos vestígios dessa prática até mesmo na literatura, o que atesta o quanto ela é popularmente difundida: nos capítulos finais do seu Drácula, Bram Stoker faz seu personagem, Dr. Van Helsing, traçar um círculo de sal em torno da jovem Mina Harker, para protegê-la da aproximação das vampiras3.
Paralelamente a essa idéia, a noção de locais circulares de culto, ou círculos rituais, é quase tão antiga quanto a humanidade e diretamente ligada à cultura megalítica da Europa Ocidental. Inúmeros cromlechs, popularmente conhecidos como "círculos das fadas", dos quais o mais popular é certamente Stonehenge, atestam o uso das delimitações circulares espacialmente orientadas de acordo com os pontos cardeais e com eventos astronômicos específicos para fins rituais.
Na Wicca, ambos os significados devem ser conciliados. Os livros sobre o assunto costumam tratar o círculo como um "espaço entre os mundos", o que parece privilegiar a idéia de um espaço de culto, de interligação entre o visível, cotidiano e individualizado, e o invisível, abrangente e coletivo. Por outro lado, tratam-no também como uma barreira de isolamento e proteção, e o casal Farrar (de tradição Gardneriana), ao descrever seu Rito de Abertura4, admite abertamente que suas invocações são derivadas daquelas constantes nas Chaves de Salomão5 e em ritos semelhantes da Golden Dawn.
Essa conciliação não significa necessariamente, no entanto, mistura ou falta de critério. A criação de um círculo envolve, de qualquer maneira, um dispêndio de energia por quem o faz e, ainda, uma certa habilidade ou preparo específico para fazê-lo. Dessa forma, erguermos pesados muros quando nada nos ameaça é simplesmente um desperdício, bem como nos expor ao perigo quando não temos a habilidade para enfrentá-lo é pura temeridade. Um praticante consciente há de distinguir entre as características específicas de um círculo ritual e de um círculo mágico, bem como o momento de se utilizar cada um dos dois, e ainda ser capaz de avaliar a sua própria capacidade de fazê-lo.
Não há a menor necessidade de se erguer as barreiras protetoras de um círculo mágico quando tudo que se pretende é uma simples comemoração de um Sabá, ocasião em que um círculo ritual, como delimitação de um espaço de culto, é mais do que suficiente. Por outro lado, estando envolvido no ritual um trabalho mágico, que envolva a preservação da individualidade (ou mesmo da integridade) de cada um dos presentes, deve se levar em consideração se algum dos participantes tem o conhecimento e o preparo necessário para traçar um círculo mágico conveniente, ou talvez seja melhor desistir.
Obviamente, não estamos aqui advogando a existência real de "forças ocultas" e, de alguma forma, "sobrenaturais", que possam intervir benéfica ou prejudicialmente em cada uma das pessoas que participam de um ritual wiccan. Isso, de qualquer maneira, continua dentro do campo das crenças pessoais de cada um, no qual não pretendemos nos imiscuir, e ainda dentro de um grau de conhecimento que não seria possível adentrar num curso como este. Pretendemos apenas alertar que, dependendo da intensidade do trabalho que se pretende fazer - e cada ritual, como já falamos, tem um objetivo específico - há de se ter em mente a graduação do isolamento que se busca, bem como a capacidade pessoal do celebrante para se obter esse isolamento. Esse isolamento, de qualquer forma, pode ser relacionado com o alto grau de sugestão envolvido em um "trabalho mágico" e com a concentração necessária para obtê-lo.
Deixando de lado, no entanto, as considerações teóricas sobre o círculo, que de qualquer forma seriam demasiadamente longas para serem convenientemente abordadas, concentremos-nos no que é em termos práticos traçar o círculo.
Algumas obras aconselham que o espaço do círculo seja efetivamente delimitado, traçando-se um círculo no chão com giz ou mesmo delimitando-se seu perímetro com objetos, como peças de mobília. Outras, por sua vez, geralmente aquelas que se referem a tradições específicas, dão instruções até mesmo quanto às dimensões que ele deve ter. Eu diria que tudo isso é opcional, em especial se tratando de um círculo ritual: basta ter-se em mente as fronteiras do local destinado ao ritual e, levando-se em conta que, na maioria das vezes, estes são celebrados em locais fechados, tais fronteiras são óbvias.
Estabelecido o local, o celebrante procede à invocação dos elementos. Apontando com o seu athame (ou espada, ou bastão) para cada uma das quatro direções, ele chama os quatro elementos para o círculo, um de cada vez, geralmente começando pelo Ar. Embora o Ar seja o ponto cardeal mais comum para iniciar-se o traçado do círculo, podem ocorrer variações de acordo com a tradição específica e com o tipo de ritual que se realizará. Um ritual, por exemplo, em que predominam as correlações normalmente associadas ao elemento Terra, poderá ter seu círculo aberto por esse elemento. Existem fórmulas próprias para o chamamento, usadas por tradições distintas, mas de uma forma geral, não há nenhuma regra estrita a ser seguida, ficando a cargo do celebrante as palavras que usará. Uma vez invocados os quatro elementos, costuma-se saudar ou invocar as duas outras direções - acima e abaixo - e pronunciar-se uma frase que marque o fechamento do círculo.
Obviamente, a descrição feita é uma simplificação extrema. A performance do celebrante, ao traçar o círculo, certamente será determinante no próprio sentimento de participação de cada uma das pessoas que assistem o ritual, e poderíamos dizer que, após preparados individualmente pela limpeza, os participantes começarão (ou não) a assumir uma postura de grupo de acordo com a forma como o círculo foi traçado. Eu arriscaria a dizer que um círculo traçado de forma pobre acarreta uma dispersão natural dos participantes do ritual.
Algumas outras considerações ou recomendações de ordem prática poderiam ser feitas, em especial se tratássemos especificamente de um círculo mágico. No entanto, pelos motivos que já apresentamos, não nos estenderemos nessa distinção, ainda mais que, para o participante neófito, nenhuma diferença explícita ficaria clara. No entanto, vale dizer que algumas regras são geralmente seguidas: após fechado o círculo, não se costuma permitir que ninguém entre ou saia dele, a não ser em ocasiões extremas. Além disso, todos os movimentos dentro do círculo, desde objetos que são passados de mão em mão até a própria movimentação efetiva das pessoas, devem ser feitos no mesmo sentido em que o círculo foi traçado. O sentido que normalmente se utiliza é o horário, mas vale dizer que esse sentido tem suas raízes no hemisfério norte (representando o caminho do Sol) e que poderia ser reavaliado em termos de hemisfério sul, à exemplo das direções associadas aos elementos.




Harmonização e Meditação

Uma vez traçado o círculo e os participantes tendo assumido os seus lugares no seu interior, o celebrante costuma fazer uma breve preleção sobre o sentido e o objetivo do ritual. Isso é especialmente importante se houverem novatos ou convidados na cerimônia. A isso, segue-se uma fase geralmente conhecida como Harmonização.

A harmonização destina-se a completar o trabalho que já foi iniciado pela limpeza ritual e pelo traçar do círculo, ou seja: "colocar em sintonia" todos os participantes do ritual, libertando-os das preocupações cotidianas e trazendo-os para o estado de espírito apropriado para a celebração ou para a prática mágica. Poderia-se dizer que a harmonização consiste em uma fase de relaxamento e congraçamento entre os participantes, e diversas técnicas podem ser utilizadas para isso, embora o canto e a dança em conjunto sejam as mais comuns.
Em grupos fechados, ou com objetivos específicos como o aprendizado, essa harmonização pode ser feita também através do debate entre os participantes de algum tema já colocado, ou do tema em pauta no dia do ritual. Porém, o mais comum é que a harmonização assuma realmente um aspecto de catarse, de libertação do mundo exterior, para que se possa penetrar com maior e melhor intensidade nos domínios do que é interno, ou ainda sagrado.
Em geral, a essa fase segue-se uma meditação. Essa, ao contrário do aspecto catártico, já busca a introjeção. Normalmente dirigida pelo celebrante, sua intenção é que cada um dos participantes vivencie os objetivos do ritual e, se for o caso, assimile determinados pressupostos que foram anteriormente explanados. Uma forma que é normalmente adotada para essa meditação é a visualização criativa, a qual, inclusive, é um componente essencial na prática da magia.
É costume, após essa meditação, que os participantes partilhem as suas experiências individuais, a forma como se conectaram mentalmente ao objeto e as sensações vivenciadas. Além de fortalecer ainda mais a noção de grupo, essa prática propicia a oportunidade para que dúvidas sejam esclarecidas e considerações sejam feitas, em geral por parte do celebrante.

O trabalho mágico

Se tomarmos um ritual wiccan como um tipo de celebração religiosa, devemos admitir que ele pode ou não envolver algum tipo de prática de magia. Caso o trabalho mágico venha, no entanto, a ser parte do ritual, poderíamos levar em consideração três níveis distintos desse trabalho.

Num primeiro nível, teríamos o tipo de magia praticada em rituais "abertos", ou seja, onde não é exigida uma filiação a um grupo ou mesmo conhecimento prévio entre os participantes. Esse é, na verdade, o tipo de ritual que mais se aproxima da noção geralmente aceita de cerimônia religiosa. Nesse nível, seria mais exato se falar em direcionamento de energia coletiva em prol de um objetivo comum do que, propriamente, em magia. Surgiriam, então, expressões como "cura da Terra", ou "prosperidade" e "fartura" como objetivo desse trabalho mágico, expressões que são, certamente, lugares-comuns, mas que, em verdade, acabam sendo as únicas que caberiam nesse tipo de reunião. Não há, aqui, nenhum tipo de menosprezo aos rituais "abertos": deve-se levar em consideração, por exemplo, que a maior parte das cerimônias religiosas dos povos indígenas visam justamente esse tipo de objetivo de caráter amplo e coletivo.
Num segundo nível, teríamos o trabalho mágico que é praticado em rituais "fechados", ou restritos a um determinado grupo, onde já existe uma interação entre os participantes e onde os propósitos, normalmente, são mais específicos. Nesse nível, a prática da magia pode ser parte de um processo de aprendizagem, como ensino de técnicas mágicas a novos membros, ou ainda como uma forma de fixação ou introjeção da temática ritual. Mais raramente, pode ocorrer um aproveitamento e direcionamento da vontade coletiva para um determinado objetivo de algum dos membros do grupo, mas de uma forma geral pode-se dizer que tais rituais se enquadram dentro de um processo de preparação para a iniciação6.
Por fim, teríamos o ritual que é feito unicamente na intenção da prática da magia. Nesse caso, dificilmente ele será feito por um grupo, mas antes por uma única pessoa, geralmente um sacerdote iniciado. Esse nível, no entanto, e a preparação e conhecimento que ele envolve para que não se torne uma pantomima auto-ilusória, a exemplo dos inúmeros "feitiços" amplamente descritos na literatura wiccan, foge ao escopo do nosso curso.
Partindo desses princípios e levando em consideração as infinitas variações possíveis na preparação de um trabalho mágico, é mais importante nos concentrarmos no seu desfecho, uma vez que este tem um significado ritualístico muito mais palpável. A esse desfecho costuma-se chamar "erguer o cone de poder": em geral, os participantes dão-se as mãos em círculo e visualizam a sua intenção como uma energia palpável, que permeia esse círculo e o percorre, de forma cada vez mais rápida ou mais concentrada. Por fim, a um só tempo, todos arremessam as mãos para o ar, "liberando" essa energia como uma flecha, na direção de seu objetivo.
Para manter a coerência, preciso deixar claro que estou usando as palavras "energia", "intenção", "vontade", etc., num sentido amplamente figurativo. O mais correto talvez fosse falar-se em uma tensão psicológica, que é progressivamente acumulada no decorrer do ritual, ao longo de suas outras fases, e que é repentinamente aliviada, ou liberada, através do cone de poder. Isso, logicamente, é proposital, pois já vimos em outro ponto7 que o componente psicológico é essencial para a magia. De qualquer forma, se a prática mágica dentro de um ritual efetivamente provoca algum tipo de transformação, seja lá por meio de quais mecanismos, ou se essa transformação se dá apenas na percepção de cada um dos participantes, isso é irrelevante e seria inócua uma discussão nesse sentido.




O Grande Rito

O Grande Rito é, simbólica e estruturalmente, o ponto alto de um ritual. Segundo os Farrar8, o Grande Rito é a um tempo um ritual de polaridade masculino-feminino e um rito sexual, onde o casal que o representa está "oferecendo a si mesmo como expressões dos aspectos de Deus e Deusa da Fonte Suprema, (...) fazendo de si próprios canais para aquela polaridade divina em todos os níveis". Pode-se dizer que o Grande Rito, na Wicca, é um reflexo e uma reminiscência de inumeráveis formas de sexo ritual, encontradas em diversas manifestações religiosas, que celebravam a união das polaridades, sem a qual a vida não poderia existir.
O Grande Rito, portanto, é a própria representação do hieros-gamos, do casamento sagrado entre a Deusa Lunar e o Deus Solar, ou entre a Deusa geradora da vida e o Deus mantenedor, na forma como é apresentado no mito da Roda do Ano. A união dos opostos, sua integração, como representação máxima da continuidade dos processos naturais, a sacralidade do sexo e do próprio corpo, por serem causa e conseqüência desses mesmos processos, é o que é celebrado.
Por motivos óbvios, pouquíssimos rituais comportariam um Grande Rito "real", ou seja, que envolvesse efetivamente a cópula entre um sacerdote e uma sacerdotisa. Dessa maneira, não vale a pena tecermos considerações sobre essa prática, bastando nos deter sobre aquilo que é comum e usual, ou seja, o Grande Rito "simbólico". Neste, o athame, erguido pelo sacerdote, representa o pênis, enquanto a taça, empunhada pela sacerdotisa, representa a vagina. Após determinadas invocações rituais, que podem variar grandemente, o sacerdote introduz o athame no cálice. Retira-o em seguida e, colocando ambas as mãos em torno das mãos da sacerdotisa, em volta da taça, ambos bebem um gole de seu conteúdo, cada um por sua vez.
Simbolicamente, esse gesto traz em si a analogia entre o corpo da mulher e a Terra, ambos como o próprio altar da vida, onde se depositam as oferendas sob a forma de sementes, bem como a analogia entre o corpo masculino e o céu fecundador. O simbolismo vai além, referindo-se, igualmente, ao plantio e, mesmo, aos mistérios da morte, quando a Terra acolhe em seu seio os que já partiram, modificando-os e revertendo os seus corpos em vida. Os próprios instrumentos utilizados, o punhal e a taça, são representações dessa dualidade cooperativa e dinâmica necessária, um sendo a energia dos inícios e o outro a fluidez e a continuidade.


Ritos de encerramento

Após o Grande Rito, a taça é passada entre todos os participantes do ritual, bem como parte dos alimentos que foram trazidos, geralmente pães ou bolos. Não se trata, nesse momento, de um efetivo "banquete ritual", ou refeição coletiva, mas antes de um gesto simbólico, significando que todos os presentes compartilham daquela integração representada pelo Grande Rito. É, portanto, uma forma de comunhão, mal comparando com outras cerimônias religiosas similares.
Feito isso, o sacerdote geralmente procede a abertura do círculo: agradece a participação das forças elementares no ritual e as dispensa, no sentido inverso ao qual traçou o círculo, no início. Em seguida, costuma-se pronunciar a frase "o círculo está aberto mas não foi quebrado. Feliz encontro, feliz partida e um feliz reencontro!", e os participantes trocam entre si o beijo circular, ou seja, cada um dos presentes beija a face daquele que está à sua esquerda, até completar o círculo.
Essas práticas encerram o ritual, mas não necessariamente a reunião, sendo costume, então, haver ainda um momento de congraçamento, em que os presentes distribuem entre si a comida e a bebida restantes que foram trazidas para o ritual. Particularmente, achamos essa parte específica da reunião de especial importância, tanto por dar oportunidade para que os participantes se conheçam melhor e troquem idéias sobre o que acabaram de vivenciar, fora do formalismo que costuma permear os rituais, quanto pelo fato que refeições comunitárias são uma forma antiqüíssima de criar e manter um espírito de comunidade.
Aliás, é importante observar esse aspecto social dos rituais, que muitas vezes é menosprezado ou esquecido em detrimento do seu aspecto "religioso" ou devocional. Um ritual pagão é, ou deveria ser, antes de mais nada, uma expressão coletiva de integração com a natureza e, igualmente, de integração entre os participantes, e não uma vetusta cerimônia de adoração a deuses. Todos os elementos que descrevemos, se coerentemente analisados, reforçam e buscam promover essa idéia, desde a criação de um espaço privado, compartilhado por aqueles que o ocupam, até a execução de vários atos coletivos buscando polarizar e dirigir para um único foco as intenções dos participantes. Na verdade, um "bom ritual", aquele do qual os participantes saem com uma sensação de vigor renovado, costuma ser justamente aquele que foi conduzido com habilidade suficiente para que essa "consciência grupal" fosse atingida.
Por fim, a idéia privilegiada pelo ritual não é a do indivíduo que busca o seu encontro pessoal com a divindade ou mesmo a sua "salvação", como observamos em outras formas religiosas, mas sim a do grupo de indivíduos que, agindo como grupo e procurando sua integração, celebra igualmente a integração desse grupo no conjunto da natureza. O objetivo que se busca não é o ingresso em um local privilegiado onde se pode ter um contato pessoal com o divino, mas sim o reconhecime2-3,
.Conto que o divino está presente em cada um de nós e que é a união dessas diversas partes que o constitui e caracteriza.




OS ESBÁS
No tópico anterior, ao discorrermos sobre os Sabás, apresentamos uma visão geral daquilo que constitui o que chamamos de calendário litúrgico da Wicca. Embora, como dissemos, esses festivais constituam o principal foco ritualístico da doutrina, eles não são - nem poderiam ser, como ficará mais claro adiante - os únicos momentos de celebração ou "culto" associados à Wicca.
Dentro do conceito de tempo cíclico, que já explanamos, a Roda do Ano e os sabás representam o grande ciclo solar anual, na verdade presente em todas as concepções religiosas surgidas nas sociedades pós-agrícolas. Poderíamos dizer, grosso modo, que este ciclo solar reflete a coletividade, a vida social ou comunal. No plano individual, ou interno, no entanto, existem também ciclos a serem considerados, igualmente na intenção primordial de harmonização e integração da nossa "natureza interna" com a natureza que é, de certa forma, externa a nós..
Para atender a essa busca de harmonização pessoal, existe na Wicca um tipo de cerimônia específica, que recebe o nome de Esbá. Em contraponto ao grande ciclo solar figurado nos sabás, os esbás estão ligados ao ciclo lunar, mais restrito, o que faz com que suas bases remetam a um período pré-agricola da humanidade, onde o paralelo entre os ciclos lunares e a fertilidade eram vitais para os grupos de caçador-coletores.
Dessa maneira, se os sabás representam o caminho solar, um caminho de realização coletiva, social e material, os esbás seriam a ritualização do caminho lunar, por excelência o caminho da realização interior, do desenvolvimento pessoal e, sobretudo, dos mistérios da vida, do nascimento e, em última análise, da magia.

O Caminho Lunar


O conhecido autor Raven Grimassi nos afirma que "a Wicca é, entre outras coisas, essencialmente um culto lunar"1. Essa afirmação, amplamente difundida, chega a parecer paradoxal quando nos defrontamos com o caráter solar da Roda do Ano, e apenas se torna parcialmente verdadeira ao levarmos em consideração o caminho lunar representado nos esbás.
Mas o que é, exatamente, o caminho lunar? Maria Nazaré Alvim de Barros, no seu premiado estudo "As Deusas, as Bruxas e a Igreja"2, nos mostra como foram as fases da Lua, em seu "eterno retorno, que propiciaram ao homem tomar contato com um tempo concreto". Além da simples contagem do tempo, no entanto, o suceder das fases da lunares e sua relação com o ciclo menstrual e à fertilidade, ficou associado ao feminino e à Deusa-Mãe.
O papel da mulher nas sociedades primitivas como geradora da vida espelhava o próprio papel da Terra. O mistério do sangramento mensal, sem ferimento e sem debilitação, evocava o controle sobre a morte, transformava a mulher, sob o signo da Lua, num ser mágico. Dessa maneira, os primeiros objetos de culto manufaturados que se têm notícia são representações de atributos femininos, muitas vezes exagerados, diretamente ligados à fertilidade e, portanto, aos ciclos lunares.
Ainda segundo a mesma autora, o desaparecer da Lua por três dias, a cada ciclo, durante a Lua Nova, veio a estabelecer associações, igualmente, com a idéia de renascimento e de transformação:

"A morte da Lua, como a dos homens, é provisória, implica transformação, modificação da existência, logo, é morte iniciativa, (...) que permite incorporar as forças desconhecidas e obscuras. (...) Como a mulher, ela é o cálice, o ventre, o receptáculo dos germes do renascimento cíclico, que contém a bebida da imortalidade."3
Dessa maneira, o caminho lunar, que se procura evocar com a celebração dos esbás, é um caminho da interiorização, o caminho iniciático por excelência. Representado no tarô pela seqüência dos arcanos de XII à XXII, ele nos fala das provas que devemos enfrentar em nossa busca do que transcende a existência cotidiana. Aliás, além da própria carta da Lua (arcano XVIII), encontramos nessa seqüência a carta do Louco - o lunático - símbolo do próprio caminho iniciático e do eterno recomeço.
O caminho lunar é, portanto, um caminho de aprendizado e desenvolvimento pessoal (que poderíamos chamar de autoconhecimento). Ao contrário do caminho solar, cujas fases e a sistemática estão prévia e seguramente traçadas, existe aqui uma grande individualização e, mesmo, uma insegurança implícita. Basta imaginarmos, traçando um paralelo, o seguinte: se olharmos uma paisagem durante a noite, tendo exclusivamente a luz da Lua, muitas vezes nos surpreenderemos com a mesma paisagem, à luz do dia. À noite, perdemos nossa noção de profundidade; objetos que estão distantes entre si podem parecer estar lado a lado. Para nos guiarmos à noite, não basta ver o caminho, é preciso conhecê-lo, e conhecê-lo com segurança o suficiente para que possamos segui-lo sem confiar na visão.
A tônica dos esbás, portanto, é o aprendizado desse caminho lunar, o desenvolvimento pessoal e individualizado de percepções e aptidões que, mais do que servirem simplesmente ao culto, evocam diretamente a transcendência do cotidiano e do cognoscível apenas pela experiência direta.

Os esbás e a Deusa Tríplice

Numa abordagem prática, os esbás seriam basicamente reuniões, ou encontros rituais, marcados de acordo com as fases da Lua, em especial na Lua Cheia. Em Gardner4, eles são citados brevemente em um trecho não creditado, retirado da obra "Aradia, o Evangelho das Bruxas"5, do folclorista inglês Charles Leland. Nessa obra, publicada em 1899, esse trecho aparece como uma exortação de Aradia, filha da deusa Diana - apresentada como a "rainha de todas as bruxas" -, aos seus seguidores:

"Uma vez por mês, quando a Lua estiver plena,
Reuni-vos em algum lugar deserto,
Ou em assembléia num bosque
Para adorar o poderoso espírito de sua rainha,
Minha mãe, a grande Diana.
Àquela que de bom grado
Aprender toda a magia, mas que ainda não domina
Seus mais profundos segredos, minha mãe irá
Ensinar, na verdade, todas as coisas ainda desconhecidas."

Independentemente da validade do relato de Leland, grandemente contestada, no trecho transcrito encontramos alguns elementos que dão idéia da tônica de um esbá. Em primeiro lugar, temos a idéia já referida de uma reunião realizada na noite de Lua Cheia. Em segundo lugar, essa reunião, aparte o seu caráter de culto, possui igualmente um caráter de aprendizado, de ensino de determinados "segredos" ou "técnicas" de magia. Por fim, surge implícito no trecho a figura de uma Deusa Lunar, tanto no aspecto da mãe (Diana) como no da filha (Aradia).
Essa idéia de uma deusa lunar de várias faces, que possui grande antiguidade, é bastante difundida na Wicca e deve ser bem compreendida, por possuir uma ligação profunda com a ritualística dos esbás. Cláudio Crow Quintino6 nos fala, por exemplo, que todas as deusas celtas são tríplices em sua essência, e cita o caso da Morríghan, que em algumas passagens dos mitos que citam seu nome aparece como uma jovem e sedutora donzela, em outras como uma imponente guerreira e ainda, em outras, como uma desfigurada anciã. Examinando os mitos gregos encontraremos, igualmente, por diversas vezes essa figura de três deusas, ou de uma divindade tripla: temos as três Parcas, as três Graças, temos a tríade formada por Perséfone (donzela), Deméter (mãe) e Hécate (anciã) no mito sazonal da descida ao Hades, ou mesmo as três deusas que disputam o Pomo de Ouro sob o julgamento de Páris: Afrodite (o amor), Hera (o poder) e Atena (a sabedoria).
De uma maneira ou de outra, essas trindades femininas divinas nos remetem às fases da Lua e ao simbolismo que a elas, ao longo dos séculos, foi associado. Dessa maneira, teríamos o período compreendido entre a Lua Nova e a meia-Lua correspondendo à Donzela, o período entre esta e a meia-lua seguinte, passando pela Lua Cheia, correspondendo à Mãe, e por fim, o período entre a meia-lua minguante e a próxima Lua Nova, correspondendo à Anciã.



As energias lunares e a celebração dos esbás

Há muito se fala na influência da Lua sobre a personalidade humana. Mesmo não levando em conta considerações místicas ou mesmo astrológicas sobre essa influência, é certo que a Lua, pela sua proximidade com a Terra, possui um papel relevante em diversos processos físicos do nosso planeta, a exemplo das marés. Na verdade, várias pesquisas conseguiram demonstrar que determinados acontecimentos, tais como partos, crises psicóticas e outros parecem ser, de alguma forma, afetados pelas fases lunares. O próprio termo "lunático", aplicado aos loucos, vem de um conhecimento ancestral da influência da Lua nos humores humanos. Donna Cunningham7, referindo-se ao trabalho do Dr. Arnold Lieber, nos diz que:

"Lieber cita dezenas de estudos que mostram um aumento do estresse emocional durante as Luas cheia e nova. Um hospital psiquiátrico da rede pública no Texas, constatou um significativo aumento de internações durante a Lua cheia e o quarto minguante. Outro psiquiatra, M. H. Stone, registrou aumento de episódios maníacos durante as Luas cheia e nova. A pesquisa de Lieber também mostrou que a criminalidade segue as fases da Lua. (...) Em Nova York, Filadélfia, Los Angeles e Miami os incêndios criminosos aumentam durante a Lua cheia."

Se tais efeitos, comprovados estatisticamente, devem-se à atração gravitacional da Lua ou a outros fatores conhecidos ou não, não cabe a nós discutir. Dentro do nosso interesse imediato, o que poderíamos dizer é que, aparentemente, existe uma espécie de "energia" lunar que, de alguma maneira, influencia no comportamento humano. Essas energias, que a sabedoria popular retratou em suas deusas lunares e associou a períodos de crescimento, plenitude, recolhimento e transformação, é o que se busca trabalhar nos esbás.
Embora a palavra esbá se refira especificamente a reuniões realizadas na Lua cheia, estamos empregando aqui esse termo com o significado de qualquer reunião realizada em sintonia com as fases lunares. Na verdade, não existe qualquer padrão geral na periodicidade com que grupos de praticantes da Wicca, círculos ou covens8 se reúnem: alguns o fazem semanalmente, outros quinzenalmente ou mensalmente. No entanto, mesmo respeitando as conveniências de seus membros, essas reuniões costumam ser marcadas, de alguma maneira, de acordo com o calendário lunar. Isso tem uma razão prática específica: utilizar a característica lunar dominante no momento para ser o fio condutor geral da temática da reunião.
Dessa maneira, associando-se o momento do ano que se atravessa, caracterizado pelo ciclo solar, ao período específico determinado pela fase da Lua, abre-se um amplo leque de possibilidades temáticas para cada reunião o que, obviamente, resulta numa diversidade de assuntos a serem abordados. Levando em consideração que o período compreendido entre cada sabá abrange quase dois ciclos completos da Lua, temos, ao longo de um ano, cerca de 53 diferentes conjugações entre o momento solar e o momento lunar que podem ser aproveitadas para aprendizagem ou para "trabalhos mágicos" específicos.
De uma maneira geral, aceitando-se a validade da influência da Lua como "reforço" em tais ocasiões, ou apenas adotando-se um significado simbólico, o que normalmente se observa é que em rituais realizados na Lua cheia trabalha-se em prol de objetivos a serem plenamente concretizados, privilegiando a idéia de abundância, plenitude ou prosperidade. Na Lua minguante, normalmente são enfocadas aquelas coisas que precisam ser tolhidas, controladas ou abandonadas, como vícios ou comportamentos e atitudes prejudiciais, ao passo que na Lua Crescente, ao contrário, o enfoque é dado para tudo aquilo que precisa ser reforçado e incentivado. Por fim, na Lua Nova, a tônica é geralmente a mudança, a transformação, ou ainda a eclosão de potencialidades ocultas.
Note-se que as características descritas para essas reuniões são de cunho marcadamente pessoal. Ao contrário do que dissemos sobre os sabás, dificilmente um determinado grupo que se reúna há algum tempo admitirá a presença de estranhos a uma delas, não apenas pelo seu caráter mais marcadamente ritual como, igualmente, pela provável exposição de particularidades pessoais de seus membros. Na verdade, em alguns grupos, mesmo os novos membros são admitidos nas reuniões de "luas escuras" (minguante e nova) apenas após algum tempo de convivência. Nesse ponto, mais do que em qualquer outro, deve-se aplicar uma máxima da Wicca que preconiza que entre os participantes de um coven haja "perfeito amor e perfeita confiança".
Por fim, vale dizer que, sendo por excelência os momentos em que se desenvolve o aprendizado e a prática dentro da Wicca, além das potencialidades individuais e da convivência dentro de uma célula comunitária de características quase familiares - e deve ficar claro que a idéia primordial da Wicca é a criação dessas células e não a de um culto coletivo nos moldes das religiões estabelecidas - os esbás são, igualmente, o protótipo do ritual wiccan. Ao contrário dos sabás, que embora possuam simbologia e elementos próprios têm uma estrutura muito mais aberta, os esbás possuem uma ritualística específica, constando de determinadas fases ou partes que devem suceder-se e que têm finalidades específicas. Tais fases ou etapas de um ritual típico, seu simbolismo e seus desdobramentos, serão o nosso próximo assunto.
 Obs: A palavra coven, de origem não muito precisa, tem sido utilizada para designar associações ou grupos regulares de praticantes da Wicca, geralmente com regras determinadas para ingresso de novos membros e métodos próprios de ação.





Fonte:  http://os7elementos.vilabol.uol.com.br/bruxaria1.htm

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