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quinta-feira, 22 de março de 2012

A Deusa Estelar da Bruxaria

  


Livro: Witchcraft: a Mystery Tradition
Autor: Raven Grimassi

"Atente para as palavras da Deusa Estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o Sol, a Lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo..."

Desde tempos antigos nossos ancestrais identificaram as estrelas com sees divinos. Uma das primeiras indicações disso é a antiga associação de deidades mediterrâneas/egéias com várias constelações. Nós encontramos na mitologia celta uma deusa conhecida como Sirona, cujo nome significa estrela divina. Seu culto esteve uma vez espalhado da Hungria à Bretanha. Na iconografia ela é reprsentada usando uma coroa, e com um cão a seus pés. Sirona também carrega três ovos e uma serpente enroscada em seu braço.

O autor R. J. Stewart (Celtic Gods, Celtic Goddesses, Blanford, 1990) aponta que várias deidades celtas estavam associadas com as constelações. Stewart também nota que muitos deuses e deusas associados com a Natureza nas lendas celtas eram "versões locais de figuras cósmicas ou estelares". Ele também menciona que as estrelas das Plêiades estavam relacionadas a deusas, mas ele não as nomeia. De qualquer forma, muito cedo na história nós encontramos a presença de uma singular Deusa Estelar, ela que usa as estrelas como um véu ou veste.

Na religião romana arcaica nós encontramos um mito associado com a deusa Vesta, o qual a descreve como pura chama brilhando na escuridão do espaço. Aqui está a pura e informe presença da divindade, a qual está ainda por personificar pela humanidade. Esse conceito é único à Deusa Estelar, que está além de definições e ainda contém tudo o que é definível.

Na Tradição dos Mistérios da Bruxaria há diversas conexões de deidades com as estrelas e com várias constelações. Um exemplo é a Deusa celta chamada Arianrhod, cujo nome significa "roda de prata". Enquanto isso indica uma conexão com a Lua, o título "caer Arianrhod" (castelo de Arianrhod) é um nome popular galês para a constelação da Coroa Boreal. Aqui nós vemos uma conexão estelar interessante com as estrelas circumpolares que nunca se põe (da tradição galesa). O grupo de estrelas que nós chamamos a "Via Láctea" [o leite de Hera ao amamentar Hércules escorreu pelo céu] hoje era conhecido pelos antigos celtas como Arianrhod, a Via de Prata.

Há uma grande desavença entre várias fontes sobre quantas estrelas compreende a constelação de Coroa Boreal. O antigo comentarista Eratóstenes referiu a nove estrelas. Higino e Ptolomeu falaram de sete estrelas, e Hiparco conta cinco estrelas. Muitos textos modernos representam a constelação com sete estrelas, e outros com nove estrelas. A última aparece no livro Star Myths of the Greeks and Romans: a Source Book, de Theony Condos (Phanes Press, 1997). De acordo com Condos, a constelação atualmente aparece com nove estrelas dispostas em um círculo. Da perspectiva da Tradição de Mistérios da Bruxaria, pode-se ver essas estrelas brilhantes como nove pérolas circundando a boca aberta de um caldeirão.

Mike Harris, em seu livro Awen: A Busca pleos Mistérios Celtas (Sun Chalice, 1999), refere aos "até o momento "portões fechados" onde Ariadne, a galesa Arianrhod, monta guarda sobre o que nós denominamos 'os Mistérios Celtas' ou mias propriamente os Mistérios Bretões." Na mitologia mediterrânea/egéia Ariadne está intimamente ligada ao labirinto, o qual é um conceito mais complexo da primitiva imagem espiral. É interessante notar que ambas, Arianrhod e Ariadne, eram associadas a Deuses Chifrudos, um tema importante na Tradição de Mistérios da Bruxaria. Isso será mais explorado nos capítulos 6 e 7 [este é o 4]. 

Na mitologia egéia/mediterrânea, a Coroa Boreal é a coroa de Ariadne colocada nos céus por Dionisos. A coroa mesma foi feita pelo ferreiro mágico Hefestos, que a fez de ouro coberto com gemas faiscantes. Tão brilhante era a coroa que ela tinha luz própria, que permitia aos indivíduos encontrar o caminho através do labirinto escuro associado com Ariadne.

Nós encontramos um vislumbre dos mistérios associados a Arianrhod e à Coroa Boreal em um dos relatos de Taliésin, um bardo celta do século seis, de grande notoriedade. No seu poema sobre as "origens" ele escreve que nasceu três vezes, e foi mantido no castelo de Arianrhod um total de três vezes. No caso da última, Taliésin está claramente indicando as estrelas no céu noturno. Aqui nós vemos o princípio básico da reencarnação ainda vivo na cultura celta durante a era cristã primitiva.

Caitlin Matthews, em seu livro Mabon and the Guardians of Celtic Britain (Inner Traditions, 2002), mostra Taliésincomo consorte de Arianrhod em seu aspecto de Rainha do Outro Mundo. Matthews também refere-se à iniciação de Taliésin nos Mistérios pelas mãos de Cérridwen. O último tema aparece em diversos contos, os quais mostram Taliésin viajando à ilha secreta de Cerridwen para ser iniciado. Muitos comentaristas acreditam que essa ilha mais tarde tenha servido de protótipo para a Ilha de Avalon na lenda arturiana. Os reinos ocultos da luz estelar e do luar continuam a ser temas intimamente associados à Tradição dos Mistérios da Bruxaria, como veremos nos capítulos seguintes.

Um interessante elemento relacionado à Deusa Estelar (e à Deusa da Lua) pode ser encontrado no que chamamos de "Postura Estelar". Esta é uma posição usada no "drawing down the moon" [puxar para baixo a lua], o qual é uma técnica para interagir com os deuses e permitir que o corpo físico seja usado como um oráculo. A imagem clássica é uma Suma Sacerdotisa ficando na posição enquanto usa uma coroa ou diadema que apresenta ou uma Lua Crescente ou uma Lua Cheia flanqueada por uma Lua Crescente e uma Lua Minguante [uma Triluna].

A postura estelar representa a expansiva e toda-abrangente Deusa Estelar difundindo-se pelo céu noturno. A coroa ou diadema representa o foco ou aspecto delimitado da Deusa Lunar entre as estrelas. O símbolo da Lua situa-se sobre a testa da Suma Sacerdotisa, significando a consciência dela fundindo-se com a Deusa através do "terceiro olho" ou Centro Psíquico.

A posição da Deusa Estelar representa também a Grande Deusa que governa os três mundos ou três reinos. Os braços estendidos sobre o Mundo Superior [Overworld], o tronco do seu corpo é a Terra Média [Middleworld], e suas pernas estendem-se ao Mundo Inferior [Underworld]. Então a posição da Deusa Estelar conecta todos os três mundos. A Lua então se torna a interface para a Suma Sacerdotisa que canaliza a consciência lunar através de seu corpo, mente, e espírito.

É essa conexão oracular que requer uma fusão com as forças da Lua, porque as Bruxas sempre derivam seu poder e regeneração das forças da Lua [É mais do que usar o idã aqui_ ou, como se chama na Bruxaria, a Serpente Lunar. É permitir, além de entrar pelo idã, que a luz do luar entre pelo sushumna, pelo tronco central da coluna vertebral, ou, para usar o termo da Bruxaria, da Árvore da Lua. Isso, na forma de um fluido que parece esmalte perolado. E parece também um fogo branco que não queima.]. Em um sentido mágico a Lua Cheia atrai a energia das influências planetárias e as focaliza como uma lente. O Sol pega as influências estelares, que são modificadas pelos planetas e então absorvidas e emanadas pela Lua. Como a Lua é o corpo espacial mais perto da Terra, ela se torna um funil dentro do nosso sistema solar.

Poderes oraculares são atribuídos à Lua, a Deusa Lunar, e Bruxas desde os tempos antigos. De fato, a palavra latina Saga, que significa uma leitora de sorte, era uma das antigas palavras usadas para denotar uma Bruxa. A Deusa da Lua que governa o Underworld, o qual tem sido longamente associado com uma natureza oracular, dá o poder de divinação à Bruxa [claro, cê enche o chakra de energia da Lua, ele abre e você vê coisas e adivinha. Normal.] Como notado antes, as almas dos mortos iam morar na Lua, e em tempos antigos acreditava-se que os mortos possuíam conhecimento do futuro. Assim como a Lua repartia sua luz com a noite, a Deusa Lunar repartia sua visão mística àqueles que se reuniam sob a Lua Cheia para venerá-la.

Em antigos escritos de Homero, e em lendas celtas escritas em tempos tardios, nós encontramos que as estrelas podem ser vistas como o Underworld, assim como a Lua [acho que o nome da Bruxaria Italiana pra isso é Áster. Acho que o Grimassi menciona isso em Hereditary Witchcraft.] Todavia estas não são as mesmas estrelas e Lua do Middleworld. Elas pertencem a um reino misterioso governado por uma deusa misteriosa. Mas quem é essa deidade e o que nós sabemos sobre ela?”

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