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quinta-feira, 22 de março de 2012

Garrafas Bruxas e Jarros Bellarmine



Livro: Enciclopédia da Bruxaria
Autora: Doreen Valiente

Os famosos jarros Bellarmine, garrafas e canecas foram produzidos pelos ceramistas da região de Rhineland, a partir do século XVI. Eles eram exportados em grande número para este país [Inglaterra], onde se tornaram muito populares. 

Esses recipientes feitos de pedra, muito bonitos, receberam seu nome do rosto cruel e barbado embutido neles, que era pra ser na verdade a face do Cardeal Bellarmine. Eles são às vezes chamados de jarros de barbas grisalhas, devido à sua decoração típica.

Apesar de serem usadas de maneira geral como um artigo doméstico, os jarros Bellarmine eram muito populares com o propósito de lançar feitiços e contra-feitiços, principalmente em Londres e na região de East Anglia.

Eles eram freqüentemente descobertos em escavações das ruínas de antigas casas inglesas, datadas dos séculos XVI e XVII, em circunstâncias que indicam as suas ligações com a Bruxaria. O típico jarro Bellarmine tem um corpo largo e um pescoço estreito, que pode ser manuseado com facilidade.

Quando usados como garrafas de Bruxa, esses recipientes foram encontrados com conteúdos bastante desagradáveis, como por exemplo cabelo humano embaraçado com unhas afiadas , aparas de unhas, um pedaço de tecido com a forma de um coração espetado com alfinetes [Hum, então é um feitiço de amor. Setas de Cupido.] e, às vezes, urina humana e sal [Isso é para feitiços de proteção. E também para feitiços de amor, como naquele feitiço em que você atira sal no fogo, dizendo “Não é o sal que desejo queimar, mas o coração daquele a quem amo. Que ele queime de amor por mim.”]. A garrafa estava sempre bem fechada, e assim enterrada em algum lugar secreto, ou jogada em um rio ou poço [Claro, pois se for desenterrada sua virtude mágica se perde.].

Uma dessas garrafas foi recuperada da lama do rio Tâmisa há poucos anos [isso foi escrito em 1994], e os freqüentes trabalhos de demolição pós-guerra da década de 1950 produziram grande número de exemplares desses recipientes misteriosos, trazidos ao nosso conhecimento quando as fundações de casas antigas eram reveladas. Todos eles continham coisas tipicamente sinistras [Francamente, se cabelo e aparas de unhas são coisas sinistras, os salões de cabeleireiros são o quê?], como as descritas acima.

Não é possível sabermos com certeza se as garrafas de Bruxa eram de feitiços ou contra-feitiços. Uma teoria é que elas agiam como uma forma de autodefesa, por pessoas que acreditavam estar sendo “vigiadas” pelo mau-olhado, para conseguir atingir a pessoa que os estava enfeitiçando. Por acreditarem que uma ligação mágica existia entre eles e a Bruxa, eles tentavam reverter a magia e enviá-la de volta para seu emissor. 

Eles usavam seu próprio cabelo, aparas de unhas, urina, etc, como a ligação mágica, e um coração, provavelmente cortado de um pedaço de tecido vermelho, para representar o coração da Bruxa, que eles espetavam com alfinetes. Unhas afiadas eram acrescentadas, para conseguirem agarrar a Bruxa, e sal, porque supostamente as Bruxas odiavam essas substância [Doreen diz, em outra parte do livro, que nos banquetes das Bruxas não havia saleiro, porque o saleiro separava a parte “rica” da parte “pobre” da mesa, e, entre as Bruxas, não deveria haver tal distinção. Evidentemente, a comida deveria receber o sal antes de chegar à mesa. O sal sempre foi usado pelas Bruxas, para tempero, purificação e feitiços.].

Em seguida tudo era enterrado em algum lugar escuro e secreto, na crente esperança de que isso fosse capaz de fazer com que a Bruxa retrocedesse e perecesse. [Uma teoria absurda.No entanto, esse feitiço poderia ser usado também de maneira ofensiva, se o praticante se apoderasse do cabelo de uma outra pessoa, de aparas de unhas, etc, para formar a ligação mágica necessária. Além disso, naquela época, quando a higiene era decididamente primitiva, e o penico um artigo muito necessário e geralmente muito bonito, não seria muito difícil conseguir um pouco da urina da pessoa odiada.

Os corações com alfinetes enfiados que foram encontrados nessas garrafas de Bruxa parecem ter ido longe demais para simples autodefesa, e a simples maldade do feitiço com certeza traria satisfação para uma mente cheia de ódio. [Veja o texto seguinte para aprender um jeito certo de usar essas garrafas. Não garanto que seja o único jeito, mas é tradicional, de uma fonte confiável.]

Mas, por que a escolha de uma garrafa Bellarmine para algo tão misterioso e estranho? Qual seria a relação do Cardeal Bellarmine com a Bruxaria? A resposta, muito provavelmente, seria nada, porque o rosto na garrafa não representa o cardeal de forma alguma, mas, na verdade, algo muito mais velho. Alguns dos exemplares mais antigos desse utensílio têm uma face tripla neles, isto é, três rostos combinados em um semblante simbólico. Essa face tripla com barba data dos tempos pré-cristãos da Europa Celta, e representava um antigo Deus da Natureza. 

Nos tempos cristãos, escultores tentaram incluir esses desenhos nas decorações das igrejas dizendo que se tratava de um símbolo da Santíssima Trindade, mas, no século XVI, ele foi proibido pelo Concílio de Trento, que declarou o desenho como sendo pagão. Essa é na verdade uma das formas nas quais o Deus de Chifres celta, Cernunnos, é desenhado. Provavelmente por causa de suas velhas associações com o Paganismo, a face tripla era um dos atributos freqüentemente dados na arte medieval ao Demônio. Dante, em seu Inferno, retrata o grande Demônio no Inferno [Estaria onde, no supermercado?], que ele chama de “Dis”, dessa forma, um exemplo típico do Deus da velha religião transformando-se no demônio da nova religião.

Os desenhos complicados da face tripla nas garrafas de barba grisalha, etc, foram simplificados e se transformaram em um único semblante de aparência poderosa, barbada e viril; porém, ele ainda era a figura do antigo Deus pagão e, por isso, um recipiente apropriado para a realização das artes proibidas e más [“más”?! Ah, dá um tempo!]. Mas quem podia afirmar isso? Quem podia reconhecer isso?

O fato histórico de que essas garrafas, com seus desenhos antigos eram usadas para a Bruxaria, é uma indicação da sobrevivência do submundo da tradição pagã, que se estende no passado até uma data mais antiga do que a que lhe é geralmente atribuída.


Livro: Enciclopédia de Wicca e Bruxaria
Autor: Raven Grimassi

Garrafa de Bruxa é um punhado de talismãs colocado em uma garrafa como parte do lançamento de um encantamento. Mais freqüentemente usada para proteção, servindo como uma barreira contra espíritos ou energia negativa. A garrafa é geralmente de cor verde ou âmbar. Os ingredientes incluem normalmente os seguintes itens: ervas, espinhos ou alfinetes, talismãs, pedras e outros objetos. Em tradições mais antigas, a garrafa também continha urina e saliva. Normalmente a Garrafa de Bruxa é enterrada no solo ou colocada fora do alcance da vista em uma prateleira.



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