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sexta-feira, 2 de março de 2012

Rei do Carvalho e Rei Azevinho


O Rei Azevinho é um símbolo das forças minguantes da Natureza. Ao contrário de seu rival e irmão, o Rei Carvalho, ele rege a metade escura do ano, que vai do solstício de verão até o solstício de inverno. Nessa época, ele perde uma batalha ritual para o rei Carvalho, que se torna soberano da outra metade do ano.
O Rei Azevinho é retratado como um homem velho que usa um traje invernal. Em sua cabeça, ostenta uma coroa de azevinho e freqüentemente aparece carregando um bastão feito de azevinho. Assim como acontece com o Rei Carvalho, vemos freqüentemente imagens do Papai Noel bastante semelhantes com as do Rei Azevinho.
Rei do Carvalho
O Rei Carvalho é um símbolo dos poderes crescentes da Natureza, regendo o ano do solstício de inverno até o solstício de verão. Este é o período do ano em que a Natureza vai em direção à sua renovação.
Em um combate ritual, o Rei Azevinho vence o Rei Carvalho no solstício de verão, regendo assim a parte escura do ano, que vai do solstício de verão (litha) até o solstício de inverno. (yule)
Geralmente a imagem que se tem do Rei Carvalho é a de um lenhador, usando uma grinalda de folhas de carvalho ao redor da cabeça.
Normalmente ele é descrito com uma árvore e vários animais da floresta ao seu lado. 

MitodoReidoCarvalhoeReidoAzevinho-Litha


Desde o início dos tempos, a Deusa da Lua e das Estrelas despertou amor e desejo no Deus Galhudo das Florestas. Assim como Ela se mostra de muitas maneiras, o Deus tem duas faces: o Rei do Carvalho e o Rei do Azevinho. Irmãos e rivais, em luta eterna pela atenção da Deusa.
Encontramo-nos no Solstício de Verão, o calor chega ao ápice, na máxima expressão de Vida na Terra. O Rei do Carvalho tem governado até então, na maré crescente do ano. A Deusa aprecia a abundância de vida e cores na Natureza, deseja em seu íntimo que sempre fosse assim. Mas Ela é a Senhora dos Mistérios da Vida, da Morte e do Renascimento; Ela sabe que os ciclos são essenciais para a evolução de todos os tipos de vida e a manutenção do equilíbrio natural. Assim sendo, Ela vai ao encontro do Rei do Carvalho, no interior da mais densa das florestas, onde carvalhos milenares imperam dominantes.
Uma onda de poder e emoção vibra quando se encontram, a familiaridade d’Aqueles que se amam mais do que é possível imaginar.
- Minha Amada Deusa! É o maior dos prazeres receber a sua visita! A que devo tamanha honra?
- Meu estimado companheiro, sabes que tão bem quanto eu o motivo de minha vinda. Preciso lembrá-lo de seu dever. Seu reinado se aproxima do fim, você precisa deixar o trono.
- Mas Minha Deusa, não vê como a floresta pulula de vida enquanto reino? Há alimento farto para todos os animais, eles se reproduzem e são felizes! Porque eu deveria deixar que tudo isso acabasse?
- A Vida se mantém em ciclos: Nascimento, Crescimento, Maturidade, Reprodução e Morte. A tua semente repousa em meu ventre, para garantir que você esteja vivo e forte para reinar no próximo ano. Se assim não fosse, você não existiria, e a Natureza adormeceria num sono eterno, sem jamais despertar.
- Mas juntos nós podemos fazer com que tudo isso dure para sempre. Imagine como seria fabuloso um mundo em que o amor e o prazer são os únicos sentimentos existentes, onde a dor da Morte nunca fosse sentida!
- Se assim fosse, outros espíritos nunca teriam a chance de experimentar a Vida, não haveria sentido para a reprodução, tudo se tornaria estático e desprovido de significado. Os Mistérios da Vida e da Morte devem ser experimentados por todos os meus filhos, pois esse é o caminho para chegarem até a mim.
As palavras da Deusa eram carregas de tamanha sabedoria e profundidade ancestrais que os olhos do Rei do Carvalho se encheram de lágrimas de compreensão.
- Tens razão, como sempre, Amada Deusa. Enfrento o meu Destino de frente e cumpro meu dever perante a Senhora. Que venha o meu rival!
Calmo, silencioso e taciturno, o Rei Azevinho surgiu entre as folhas. Seu olhar era firme, seus lábios cerrados pareciam esboçar um sorriso incompreensível, resistente, único.
O Rei do Carvalho se pôs de pé no mesmo instante. Saudaram-se cordialmente, pois apesar de serem rivais, eram irmãos e estavam cientes de seus deveres.
Deram início ao combate. Eles se igualavam em força e determinação. O Rei do Carvalho estava no auge do seu poder e seus galhos eram fortes e resistentes, mas o Rei do Azevinho esteve se preparando nos últimos seis meses, seus galhos eram finos, mas muito ágeis.
A luta se prolongou por algum tempo, pode ter sido minutos, ou exaustivas horas. Naquele bosque o tempo passava de um modo peculiar. De repente, num movimento fluido e rápido, o Rei Azevinho fere fatalmente o Rei Carvalho. Este cai, e é amparado pela Deusa.
Ela não chora, sente-se orgulhosa por seu filho e amante ter se sacrificado para manter a Vida. Mas seus olhos brilham marejados quando o espírito imortal do Deus parte para o Oeste, o Outro Mundo, onde aguardará até que esteja pronto para renascer como a Criança da Promessa.
Ela se levanta e olha para o Rei do Azevinho. Trocam um olhar intenso, em que se pode discernir reverência, admiração, comprometimento... e amor. Ele é face mais sombria de seu amado, mas com ele compartilha uma intensidade inexplicável, que não se traduz pelo contato físico apenas, mas pela sabedoria conquistada através de Eras.
Ele assume seu lugar no trono e Ela o coroa com uma guirlanda de azevinho, de folhas verdes viçosas e frutos escarlates. Dali a algum tempo, quando o Outono e o Inverno chegassem, aquelas seriam as únicas cores visíveis na floresta, além do branco majestoso da neve.
O Sol já havia se posto a Oeste e logo a Lua apareceria a Leste, então ela partiu para o céu, vestindo seu manto negro salpicado de estrelas e coroado pelo disco de prata. A Roda havia girado mais uma vez...

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