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quarta-feira, 28 de março de 2012

Tradições de Auto-Iniciação



A grande maioria das Tradições de Bruxaria é extremamente fechada. Partes de suas crenças e rituais são publicadas em livros, mas seus principais segredos são reservados somente aos Iniciados. Para ser iniciado em um Coven destas Tradições, é necessária, inicialmente, a aprovação do candidato por todos os bruxos que o formam, ou, no mínimo, de seu Conselho de Sábios. Se o candidato for aprovado, é nomeado um bruxo de hierarquia suficiente para ser seu instrutor. Durante um período de no mínimo um ano e um dia, o aspirante passa por um árduo treinamento, e só então pode ser Iniciado, se ainda o desejar, e se ainda for aprovado pelo Coven.
Esta forma de tornar-se bruxo foi muito útil na época das perseguições, e mesmo depois dela, como maneira de manter o conhecimento em mãos seguras. Com este intuito, sempre foi considerada uma medida justa e digna. Mas, com a popularização da Bruxaria nos anos 70, surgiu uma polêmica que veio à tona no início dos anos 80.
Como pessoas que não tinham acesso a Covens (por não conhecerem nenhum ou morarem a uma grande distância) mas possuíam sincero desejo de serem bruxos deveriam proceder? Seria justo mantê-las afastadas da beleza e da poesia da Wicca ?
Calorosas discussões foram travadas sobre este assunto. Em pouco tempo, podia-se reconhecer dois grupos de bruxos, de acordo com sua postura: os Tradicionalistas, que apoiavam a idéia de que a Bruxaria era uma religião secreta e deveria manter-se assim, conservando os antigos métodos de treinamento e iniciação; e os Reformistas, defendendo uma posição mais liberal, posicionando-se a favor de uma revisão nas antigas regras. Havia também alguns que estavam entre os dois grupos: consideravam o segredo importante, mas algo devia ser feito para que a justiça prevalecesse.
A Bruxaria não é uma "religião organizada", como o catolicismo ou o islamismo; nunca o foi. Sua beleza está justamente na diversidade de Tradições e enfoques diferentes dados por diferentes bruxos. Cada Tradição possui linhas gerais de procedimentos, e é deixada aos Covens que a representam a decisão ou não de acatá-las. A individualidade é um dos valores mais prezados pelos wiccans. Apesar de ser saudável, esta diversidade de opiniões às vezes atrapalha, como no caso das Iniciações.
O resultado destas discussões foi o surgimento das Tradições de Auto-Iniciação. Sua característica básica já é revelada por sua denominação. Antes de seu surgimento, para ser um bruxo, você precisava "descender" de outros, o que só era possível sendo iniciado por um Coven já estabelecido. Nas novas Tradições , uma pessoa podia iniciar-se sozinho na Arte (sem negligenciar o período de treinamento) e fazer uso um sistema completo de rituais, publicado em forma de livro.



Como era de se esperar, isso causou uma polêmica nunca antes vista. Mas tudo que se faz de novo em Bruxaria causa polêmica. É impossível agradar a todos. Uma coisa é certa: estas Tradições são válidas. Contra elas, não é válido o argumento usado por alguns Tradicionalistas de que revelam segredos da Arte, pois elas definitivamente não o fazem.
Atualmente, a Wicca possui dois ramos: o das Tradições iniciatórias (como a Gardneriana e o Crescente das Fadas) e o das Tradições auto-iniciatórias (como a Seax-Wica e a Wicca da Floresta). Ambas são Bruxaria, mas são diferentes. Há segredos que as iniciatórias possuem que nunca poderão ser reveladas em impressos. Isso não faz das auto-iniciatórias "tradições inferiores", de maneira alguma. Aqueles que seguirem de forma correta os treinamentos por elas oferecidos e dedicarem-se à religião receberão a inspiração dos Deuses, e toda a Sabedoria da Arte. É só uma questão de tempo e esforço. Já aqueles que preferem ignorar o treinamento e passar à prática dos rituais nada estarão realizando além de uma pantomima sem sentido. Não possuem poder algum, e ainda correm o risco de tomarem grandes sustos. Os Deuses não dão atenção a quem não os respeita.






Fonte:  http://casadabruxajadefenix.blogspot.com.br/2011/08/o-coven.html

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