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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Por um caminho diferente da Wicca




Apesar de tão 'humilhada' pela comunidade geral, mesmo escrevendo absurdos e mais absurdos, muitos começaram a trilhar o caminho da bruxaria lendo as revistas "Wicca" - de Eddie Van Feu.
Apesar do curioso nome, de wicca a revista nada tem -ou muito pouco tem. Mas esta não é a questão. A questão é que, como eu disse, muitos começaram a trilhar seu caminho na Arte por este meio. Há os que tiveram discernimento para continuar estudando e abandonaram as bobagens esquisotéricas, outros se permaneceram atolados em fontes duvidosas e limitadas.

Mesmo quem não começou estudando as revistas "Wicca", ainda assim começaram a estudar pelaWicca. E esse é o ponto deste texto e é onde eu quero chegar com essa introdução massante banhada deredundantes redundâncias.
"Para aqueles que querem praticar bruxaria, o único meio de se começar é estudando Wicca?". Não é demasiado limitado, mesmo para aqueles que não querem seguir na wicca, devam começar pela wicca?
Minha critica não é para com a Wicca. Gardner, seguido por Sanders e Buckland prestaram um enorme serviço à bruxaria, tornaram a Arte mais acessível à aqueles que antes não teriam a menor chance de trilhar tal caminho. Minha critica é só contra o limitado numero de opções.
Até mesmo aqui, no blog, os livros indicados para os iniciantes falam sobre Wicca.

Do Breno e do Travanás eu sou o que estou mais distante da Wicca, por isso sou eu a escrever esse texto.

O que proponho aqui é um meio alternativo. Não espere algo extremamente original, um culto absolutamente novo, afinal, é quase impossível desassociar bruxaria moderna e contemporânea da Wicca e suas práticas, e claro, este é só um meio alternativo de se começar! Continue a estudar, evolua, mude, inicie suas próprias práticas.

Divindades


A Wicca é, essencialmente, mais duoteísta que politeísta. Você já deve ter ouvido a frase "todos os deuses são um só Deus e todas as deusas são uma só Deusa". Em seus ritos sempre são invocados um casal divino - menos, é claro, as Tradições Diânicas.

Já eu penso de outra maneira. Não gosto da ideia de unificar distintas divindades, destruir suas particularidades e dizer que na verdade ela é só mais uma 'face' ou 'parte' de uma divindade maior. Pã não é no panteão grego o paralelo de que é Kennunos no panteão celta. Pã é Pã, Kernunos é Kennunos - simples assim.
Há algum panteão com o qual se identifica? Há uma divindade pagã que chama sua atenção? Estude-a! Preste-lhe homenagem, faça-lhe oferendas. Conecte com tal divindade.
Abandone a visão abraâmica do divino. Deuses não são seres inalcançáveis. O paganismo é demasiado plural, mas é consenso no neopaganismo as crenças anímicas - deuses que estão na natureza, deuses que são a natureza.
E lembre-se do que o antropocentrismo cultural nos fez esquecer: nós também somos parte da natureza! Logo, o divino também está em nós. Aprenda a reconhecer o divino à sua volta, bem como dentro de você mesmo.

Altar


O altar padrão de um wiccano tem uma vela branca para o Deus, uma vela preta para a Deusa, e um instrumento representando cada um dos elementos - athame, calice, pentáculo e vela.
Mas como estamos reconhecendo as divindades em suas particularidades, logo esse altar padrão para "o Deus e a Deusa" não serve no nosso caso.
Quer montar um altar para Zeus? Então monte um altar para ZEUS.
Não precisa de muito, um bom altar pode ser montado com elementos simples:
 - Uma representação da divindades
 - Uma vela (ou velas)
 - Uma vasilha de libação
 - Cálice
 - Um incensário e incensos.

Se você tiver onde comprar e estiver em condições de investir um pouco mais, compre uma estatua da
A Alta Sacerdotisa - 
The DruidCraft Tarot
divindade em questão, se não, basta uma alternativa barata: busque na internet uma imagem que melhor lhe representa, revele a imagem como foto, compre uma quadro que lhe agrade e coloque no altar.
Pesquise sobre a divindade, leia sua mitologia, saiba o que lhe era oferecido, desta forma compre uma vela (ou velas, ou uma vela de 7 dias...)  e unte com um óleo feito de uma erva associada a tal divindade. A mesma coisa na compra do incenso, compre um com o aroma associado à divindade.
Quer um exemplo?
Digamos que queira montar um altar para Hefestos. Depois de uma rápida  pesquisa descobrimos que sua cor é o marrom e as plantas que lhe são atribuídas são o olíbano, a babosa e a papoula de fogo. Logo, compre uma vela marrom e a unte com essência de olíbano. O incenso pode ter igualmente o aroma de olíbano.

No cálice colocaremos algo para servir de libação. Vinho costuma ser a primeira escolha, mas como eu disse, leia a mitologia, estude a divindade, se encontrar alguma bebida que ele aprecia mais....
A vasilha de libação, bem, é para fazer libações! (rs). Ela pode ter terra, onde você irá verter suas oferendas. Elas também podem conter oferendas permanentes. Moedas para Hermes, ovos e maçãs para Hekate... são alguns exemplos.

Altar para Poseidon  - RHB.
Repare nos elementos: incensos, velas, a vasilha de libação, uma vasilha
com água do mar e uma estatueta da divindade

E como eu já disse, o pensamento wiccano não entra aqui. Não precisa ser um altar para uma unica divindade, mas também não precisa ser um casal. O importante é que haja uma vela e uma vasilha de libação para cada divindade. Ou você pode criar pequenos altares em diferentes lugares da casa.
Mas claro, há precauções: quer venerar divindades de diferentes panteões? Tudo bem, mas cada panteão em seu respectivo altar. E claro, tenha a preocupação de não colocar no mesmo altar divindades que tenham alguma "rixa".

Altar de Hermes - RHB
Mais um vez, repare na diferença de um altar feito especificamente para um deus.
Aqui, não vemos o athame ou o caldeirão, temos apenas símbolos de Hermes.
As moedas e as cédulas são ofertas votivas - deus dos comércios, a cédula de
2 reais tem a tartaruga, um dos animais consagrados à Hermes. No fundo, um mapa
múndi para o deus viajante.


Festivais


Essa é uma parte interessante!
Como eu já cansei de dizer, respeite a particularidade dos deuses. Uma boa maneira de prestar-lhes homenagem é estudando-o, aprendendo como antigamente ele era venerado, em quais festivais ele era honrado. Se você gosta do panteão grego, procure sites de Reconstrutivismo Helênico, panteão Hindu? Estude o hinduísmo! Panteão Nórdico? Estude Asatrú...e por ai vai. Mesmo que não vá seguir suas respectivas práticas, é importante aprender a maneira que neopagãos estão adaptando o culto dos deuses antigos.

Adapte o culto à sua realidade, realize oferendas, queime incensos, medite! Preste uma vênia cada vez que cruzar com o altar...atos simples mas de grande poder.

Na Wicca temos ainda os 13 Esbás e os 8 Sabás.
Não nego sua importância. Acho interessante o bruxo celebrar os ciclos da natureza.
Celebre os Esbás. A cada Lua Cheia - ou a cada mudança de fase da lua (melhor ainda eu diria) -  celebre-a, sinta sua energia. Crie seu próprio ritual para venerá-la, chame por uma divindade lunar.
Não precisa ser um casal! Se vai venerar Selene, por exemplo, não significa que tenha que chamar Pã para o mesmo ritual.

Quanto aos Sabás, a escolha é sua. Os sabás são festivais wiccanos, não há obrigatoriedade em ser bruxo e ter que celebra-los. Mas se for celebra-los, só aconselho e pensar neles na sua essência: como festivais que celebram ciclos da natureza.
Ritos de fertilidade, solstícios e equinócios, homenagem aos ancestrais...tudo isso pertence à natureza e não a Wicca. E se o objetivo é celebrar os ciclos da natureza, aquela velha discussão sobre Roda do Norte ou Roda do Sul perde totalmente o sentido. Vai celebrar o Equinócio de Outono? Então celebre o Equinócio na data do Equinócio!
Para fugir ainda mais das limitações, sugiro que até esqueça dos nomes tradicionais (Samhain, Yule, Beltane, Mabon...). Dê seus próprios nomes, observe a natureza à sua volta, o que os solstícios e equinócios trazem de diferente na sua região? Alguma fruta de época? Coloque-a no ritual.
Nos sabás maiores, veja o que é celebrado e faça associações para criar seus próprios ritos:  Beltane - Rito de Fertilidade;  Samhain - homenagem aos ancestrais mortos...e por ai vai.

Títulos e Honrarias 


Alta-sacerdotisa, Sumo-sacerdote, Elder, Primeiro Grau, Neófito.... FO-DA--SE
Você não precisa de títulos pomposos. Bruxo é uma denominação que lhe basta.
Bruxaria não é religião, é Arte e Oficio. Wicca sim é uma religião, e por isso há lugar para uma figura sacerdotal. Entendeu a diferença?
Você está estudando bruxaria, praticando bruxaria, você está servindo aos deuses... para nada disso é preciso de um titulo. Cultuar determinada divindade não te faz sacerdote d'Ela, e com toda certeza não te faz filho d'Ela - a menos que você seja uma semi-deus.
Seja bruxo, trilhe o caminho, pratique a Arte, você já único, escolheu um caminho para poucos, não precisa de títulos.

Traçar o Circulo?


Sim!
Wiccans e bruxos de maneira geral abrem o Circulo e e chamam os quadrantes.
Essa prática vai alem de proteção, o Circulo também é a sua maneira de consagrar o espaço, prepara-lo para receber a divindade, estabelecer um limite entre o Reino dos Deuses e o Domínio dos Homens.
Alem disse está em reconhecer a si mesmo como divindade. Você traçou aquele Circulo, então você é o deus daquele espaço.

Mas e agora?


Você leu tudo isso, seguiu meus conselhos...ou os ignorou, tanto faz.
Mas para aqueles que não ignoraram, vocês devem estar se perguntando, "mas e agora?"
Bem, claro que não poderia ser só isso. Este texto é só uma apresentação de um caminho, estudo e praticas diferentes da Wicca. Então continue acompanhando o blog, vou escrever outros textos do gênero alem de indicar livros sobre o assunto.

E, na geração Twitter, aqueles que leram até o fim este texto relativamente grande, meus sinceros agradecimentos.
Se tiver alguma duvida, deixe nos comentários.

Hekator
Bruxaria Hipster

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