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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

“AS PROSTITUTAS SAGRADAS”


O termo de “prostituta sagrada” é na sua acepção atual incorreto para o contexto da época. 
Antes do cristianismo lhe dar essa conotação pejorativa, durante milênios o Culto da
 Deusa 
Mãe e a sexualidade da mulher era sagrada e a liberdade do seu corpo igualmente
 enaltecida pelo amor, como forma de dádiva e iniciação amorosa. 
O termo queria exatamente significar o contrário dessa acepção
 de hoje e significava Mulher sagrada,
 porque dedicada ao culto da Deusa e desse modo era a Iniciadora do Amor ao mais 
alto nível e não a meretriz dos nossos dias a que associamos a prostituta.


Conforme passo a citar:






“O termo escolhido pelos modernos tradutores, é aplicado à hierodula
ou “mulher sagrada”do tempo da deusa, que desempenhava um papel importante 
no dia a – dia do mundo clássico.


As sacerdotisas de Deusa e os seus importantes
encontros iam até ao período Neolítico (7000-3.500ª.C.), tempos em que Deus era honrado 
e amado no feminino em todas as regiões conhecidas hoje como a Europa e o Médio Oriente.
No mundo antigo, a sexualidade era considerada sagrada, uma dádiva especial da deusa do
 amor, e as sacerdotisas que oficiavam-nos templos da deusa do amor do Médio Oriente
 eram consideradas sagradas pelos cidadãos dos impérios grego e romano. Conhecidas 
como “mulheres consagradas”, eram tidas em grande estima como invocadoras do amor,
 do êxtase e da fertilidade da Deusa.



In Maria Madalena e o Santo Graal
De MARGARET STARBIRD (Quetzal)




Na Suméria (Oriente Médio), por exemplo, as sacerdotisas da Deusa Inanna, 
mais tarde chamada de Ishtar, na Mesopotâmia, cultivavam o ritual da prostituição 
“como forma de ajudar aqueles que procuravam o templo para reencontrar-se, morrer
 para renascer e dar um novo sentido a vida”.

A própria Ishtar, “a benfazeja”, foi identificada como uma prostituta. E mais: sendo 

as prostitutas-sacerdotisas membros do templo, considerado centro religioso, político
 e econômico na Mesopotâmia, o status de prostituta era bastante elevado.
Não esqueçamos que no próprio código de Hamurabi, os direitos da prostituta 
sagrada eram protegidos. “Seus filhos não eram difamados e elas preservavam
 a reputação de mulher casada”.

Um dos primeiros poemas mais antigos que se tem notícia no mundo, oÉpico de Gilgamesh

 (em torno de 2.000 a.C), fala da prostituição de uma forma sagrada, bem como exalta
 seu poder civilizador.

Poderíamos ir multiplicando os exemplos. Mas não podemos deixar, por último, de citar a 

tentativa da Igreja, no passado, de associar Maria Madalena a figura de uma prostituta 
(arrependida). E Lot que “oferece suas filhas “virgens” aos habitantes de Sodoma em troca
 de deixarem em paz os estrangeiros que acolheu em casa (Gênese 19,6)”.
Mas voltemos ao nosso percurso. Os homens buscavam os templos para melhorar
 as colheitas, os rebanhos, para chover mais (“a chuva fecundadora”).
 E até para receberem as bênçãos ea graça das deusas visando engravidar suas esposas.

Segundo a historiadora Nickie Roberts, essas mulheres foram consideradas a encarnação
 terrena da deusa. Eram o “elo vital entre a comunidade e a sua divindade, e isso 
elas fizeram como sacerdotisas xamânticas”. As Vênus, por exemplo, representam a 
fertilidade.


Não havia a famosa dualidade neoplatônica tão cara ao cristianismo, ou seja, 
não havia um distanciamento fundamental entre o espiritual e do sexual. 
Carne e espírito comungavamcom certa harmonia, como parte da natureza.
 Por isso, tantos rituais de celebração a fertilidade nas mais diversas religiões e mitologias.

Marie Louise von Franz fala-nos das religiões pagãs, originárias dos germânicos e

 dos celtas, nas quais se cultuavam à Mãe Terra e a outras deusas da natureza.
 Em muitas dessas festas haveria a prática de orgias sexuais com uma aura de sacralidade.
 Os carnavais têm muito haver com essas celebrações. 
E as máscaras venezianas têm certa relação com a vontade de perde-se no todo, 
abandonando a individualidade.



Por isso, para alguns autores a prostituição sagrada era uma forma de atingir 

a espiritualidade através da carne. Nesse sentido, Débora F. Lerrer, em seu artigo
 Sexo Sagradonos afirma: “A prostituta sagrada encarnava a deusa, 
tornando-se responsável pela felicidade sexual”.

Do mesmo modo, os ritos secretos, ligados a tradições pagãs deixaram vestígios 

da existênciade rituais sexuais, como Mistérios de Eleusis, dedicado à deusa Deméter, 
na Grécia. E ritosoutros que se espalharam pela Europa. Todos com a característica 
de "transcender o indivíduo", como se "o prazer entrasse na esfera da vida cósmica".
Mais curioso ainda é que não só as sacerdotisas arrecadavam tributos para o templo. 
No culto à Deusa Milita, na Babilônia, por exemplo, pelo menos uma vez na vida todas
 as mulheres migravam à porta do templo e ofereciam serviços sexuais.
O dinheiro era, então, doado ao templo, como oferenda. Uma taxa dita como justa e 
devida à Deusa. Detalhe: nenhuma mulher poderia se negar a prestar o serviço.

Na Idade Média as francesas de Savóia, uma vez por ano, se reuniam para visitarem

 tabernas e se encontrarem com outros homens, com o consentimento dos respectivos
 maridos. A despeito da questão do pagamento, tal comportamento parece ser uma 
recorrência da época da prostituição sagrada e dos cultos da fertilidade.
Vejam que por trás do tema “prostituição sagrada” há uma boa discussão sobre sexualidade
 e religião. E mais: denota a força do patriarcalismo, embasada nos credos judaicos, cristãos 
e islâmicos, e seu controle sobre a sexualidade das mulheres.


Fonte: http://andreagraagra.blogspot.com.br/

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