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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Plantar a Lua



Lembro de uma vez quando alguém viu um ritual com sangue aqui no meu blog e ficou chocado.
Nós bruxas não vemos nenhum problema em trabalhar ritualisticamente com o nosso sangue. Ele não é impuro, ao contrário, é cheio de nutrientes e plantar a lua é um ritual muito poderoso.
Nesse momento de oferenda, qualquer pedido que você fizer será atendido.
Mas não ofereça seu sangue diretamente para a terra. o certo é diluir em água, porque ele é muito forte.
Quando plantamos nossa lua, se abrem portais de abundância em nossa vida e de compreensão e clareza em relação ao nosso propósito na terra. Fora que em seu jardim, nascerão plantas para a sua medicina pessoal.
Alana
Plantando a lua
" Em tradições matriarcais antigas, as mulheres ofereciam ritualmente o sangue menstrual à terra, como uma forma de agradecer pelo poder de gerar, fertilizando plantações com as substâncias contidas no sangue. Plantar a lua – ou seja, doar o sangue à terra – conectava mulheres à natureza e as fazia compreender, sacralizar e reverenciar seus próprios ciclos.
“O oferecimento do sangue à Terra é um costume antiquíssimo e sagrado, usado pelas mulheres das culturas da Deusa e das tradições nativas, para agradecer às dádivas recebidas e devolver à Mãe Terra a energia fertilizadora do sangue menstrual. Considerado um fluido sagrado, rico em nutrientes e imbuído de poder mágico, o sangue era a oferenda das mulheres à Grande Mãe desde os tempos mais remotos, substituído depois, nas sociedades patriarcais, pelo sangue dos sacrifícios animais ou humanos” (FAUR, 2011, p. 220).
Além das crenças envolvidas nesses rituais, doar o sangue à terra é uma prática ecológica que contribui para a manutenção do meio-ambiente. Isso se justifica porque o sangue contém alguns macronutrientes importantes para as plantas, como o nitrogênio, o fósforo e o potássio, fertilizando a terra e fortalecendo as plantas. De alguma forma, mesmo sem conhecimentos científicos, as mulheres da Antiguidade conheciam as propriedades contidas em seus próprios fluidos.
Atualmente, como uma forma de resgate às práticas de sacralização dos ciclos femininos por meio de alternativas sustentáveis, são utilizados bioabsorventes e coletores menstruais na prática ritualística de doar o sangue à terra. A orientação é que se dilua o sangue colhido na água e despeje a mistura na terra, em meditação, mentalizando sobre a transformação, em terra, da vida não gerada no útero. É uma forma de doar a energia criativa e agradecer pelas dádivas telúricas honrando nosso feminino sagrado."


Fonte: FAUR, M. Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas. São Paulo: Editora Pensamento, 2011.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Quem foram e como morreram as Bruxas de Salem

Série de julgamentos e execuções na América colonial do século 17 mostrou até onde o fanatismo religioso pode chegar.


O caso mais famoso de caça às bruxas aconteceu entre 1692 e 1693 nos EUA e levou mais de 150 pessoas para a cadeia, das quais 25 morreram.

A região de Salém era uma colônia britânica, rachada por ataques indígenas e atormentada por pequenos crimes e disputas de terra. Lá, os puritanos estabeleceram um governo em que a Igreja comandava tudo. A população considerava a mulher submissa ao homem.


 (Horácio Gama/Mundo Estranho)

Em fevereiro de 1692, durante um inverno excepcionalmente frio, Betty Parris, filha de 9 anos do ministro religioso de Salém, pegou uma doença estranha. Contorcia-se de dor, gritava, sofria de febre e reclamava para o médico do vilarejo que parecia estar sendo picada. Hoje, a ciência tenta explicar a doença como combinação de asma, abuso infantil e epilepsia. Outra tese: a garota teria ingerido um fungo presente no pão. Mas, na época, ninguém sabia o que era.


Outras seis garotas, incluindo uma prima de Betty, também desenvolveram os sintomas. Elas se contorciam em poses grotescas e diziam sentir mordidas e beliscadas no corpo. O médico William Griggs sugeriu que a origem do problema seria sobrenatural. A família ficou obcecada com a hipótese.

                                          (Horácio Gama/Mundo Estranho)


Naquela época, um livro fazia muito sucesso. Escrito por Cotton Mather, Memoráveis Providências descrevia o caso de uma lavadeira de Boston suspeita de bruxaria. E o comportamento de uma vítima da suposta bruxa parecia o de Betty. Foi o que faltava para o início de uma onda de pânico.

A primeira suspeita foi a escrava Tituba (não se sabe ao certo se era de origem africana ou da América Central), que contava lendas de bruxas e vodus do folclore de seu país para as meninas. As crianças acusaram outras mulheres como autoras do “feitiço”. Para tentar escapar da forca, Tituba confessou ser bruxa e voar com várias companheiras de feitiçaria.


(Horácio Gama/Mundo Estranho)


Outras acusadas seguiram o exemplo de Tituba e passaram a confessar que estavam atormentando as meninas a mando do diabo. O governador William Phips criou uma corte para julgar os casos de bruxaria, formado por cinco juízes. Os réus não tinham direito de ter testemunhas a seu favor.



 (Horácio Gama/Mundo Estranho)

A primeira julgada foi Bridget Bishop. Com poucos amigos e cheia de conflitos com os vizinhos, era a acusada perfeita. Além de ter sido delatada por “bruxas” confessas, uma testemunha disse ter visto Bridget roubando ovos e se transformando em um gato. A pena foi morte por enforcamento







Mais de 150 suspeitos foram presos. Houve 20 execuções – incluindo um homem esmagado por pedras.  Dois cachorros também foram condenados à morte, acusados de serem cúmplices das bruxas de Salém (povo alienado rsrs..). Até uma menininha de 4 anos, Sarah Good, foi acusada pelas crianças. A pequena passou oito meses na cadeia.
 George Burroughs, um ministro da igreja, foi enforcado como líder das bruxas e por enfeitiçar soldados em uma campanha fracassada contra os índios. Historiadores afirmam que os juízes se empenharam no julgamento para transferir a “culpa por sua própria defesa inadequada da fronteira”, já que eles lideraram a guerra malsucedida. Muitos dos casos se resumiam a isso: vendetas pessoais que, agravadas por uma certa carga de fantasia, geravam acusações de “obra do Diabo”. Os últimos julgamentos ocorreram em abril de 1693. A maioria das condenações foi revista entre o final do século 17 e o início do século 18. Hoje, o caso é considerado um exemplo de histeria coletiva.

Fonte: Super Interessante